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Grandes encomendas provocam escassez de duas drogras para aids

Wall Street Journal - March 4, 2005
Por Paul Davies


Dirigentes de programas de assistência a portadores do vírus da aids dizem que um rápido aumento das compras feitas por dois grandes programas de combate à aids estão reduzindo os estoques de dois medicamentos para a doença, da Bristol-Myers Squibb Co. e da Merck & Co. (que opera no Brasil como Merck Sharp & Dohme, ou MSD), e levaram a uma escassez de remédios para pacientes em países em desenvolvimento.

A Bristol-Myers e a Merck reconhecem a escassez e dizem que o problema resulta principalmente da aceleração de um programa emergencial de cinco anos e US$ 15 bilhões criado pelo presidente americano George W. Bush para comprar mais drogas para combater a aids em países em desenvolvimento, especialmente na África subsaariana. A escassez resulta de encomendas maiores feitas pelo Programa de Emergência para Socorro às Vítimas da Aids de Bush, conhecido em inglês pela sigla Pepfar, que ocorre em cima de uma demanda maior do Fundo Global para o Combate à Aids, Tuberculose e Malária, uma agência multilateral de financiamento, e várias outras organizações, de acordo com pessoas que trabalham em operações de socorro e com as empresas farmacêuticas.

A escassez mais grave é a da droga estavudina, da Bristol-Myers, vendida sob a marca Zerit (Zeritavir no Brasil). A estavudina é um dos tratamentos de primeira linha usados mais amplamente para pacientes infectados com o HIV. O problema da oferta foi agravado nos países em desenvolvimento por causa da recente retirada de versões genéricas da droga fabricadas por duas empresas indianas, além da alta demanda. Ano passado, a Organização Mundial de Saúde retirou sua aprovação das droga.

Em 2002, cerca de 10% da estavudina produzida pela Bristol-Myers foi para países em desenvolvimento. Este ano, a empresa espera que de um terço a metade da produção será enviada a países pobres. A Merck, por sua vez, disse que está havendo um grande aumento da demanda pelo efavirenz, que é comercializada sob a marca Stocrin.

"Há certamente uma escassez", disse Paul Lalvani, o administrador de compras do Fundo Global em Genebra. "Alguns países (em desenvolvimento) indicaram que fizeram encomendas de estavudina e não conseguiram ter acesso ao produto." Lalvani disse que também está ciente da escassez do efavirenz.

Mas na África subsaariana e em outras regiões pobres as drogas para aids são vendidas a preço de custo, segundo as empresas.

As duas empresas dizem que é difícil prever até quando o problema vai persistir porque a demanda continua a aumentar. A primeira prioridade, dizem elas, é assegurar que os pacientes que estão usando essas drogas continuem a obtê-las. Mas alguns pacientes novos podem ter de esperar ou procurar tratamentos alternativos.

Bristol-Myers e Merck dizem que a escassez pode acontecer em países desenvolvidos. Mas alguns observadores duvidam que vá haver uma escassez nos Estados Unidos ou em outros países ricos, onde os remédios são vendidos com lucro e a demanda não está crescendo tão rapidamente.

A Bristol-Myers, de Nova York, disse que o preço não vai influenciar quem recebe o remédio e que a empresa está comprometida a fazer tudo que puder para ajudar os pacientes com HIV/aids em qualquer lugar. "Vamos continuar a fornecer remédios contra o HIV sem lucro no mundo em desenvolvimento", disse o porta-voz Brian Henry.

A Bristol-Myers diz que produziu 1,4 milhão de toneladas de estavudina ano passado, e planejava aumentar a produção para 2,5 milhões de toneladas este ano. Mas ela elevou a produção e agora espera fabricar 4 milhões de toneladas em 2005.

A Merck disse que viu um acentuado aumento da demanda do efavirenz. A empresa, com sede em New Jersey, comercializa a droga em países em desenvolvimento, mas ela é fabricada pela Bristol-Myers. Algumas fabricantes de genéricos da Índia e África foram licenciados a fabricar o efavirenz também, para reduzir a escassez.

— Sarah Lueck e Marilyn Chase colaboraram nesse artigo

Write to Paul Davies at paul.davies@wsj.com
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