
PARIS, França, 13 Jul 2009 (AFP) - Um grupo de cientistas nos Estados Unidos anunciou que os hormônios podem ajudar a explicar por que nas mulheres infectadas pelo Vírus da Imunodeficiência Humano (HIV) a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (Aids) evolui mais rápido que nos homens.
Um dos enigmas sobre a pandemia de Aids é por que as mulheres, depois de infectadas com o HIV, parecem combater melhor o vírus em suas primeiras etapas, mas sofrem um avanço maior da Aids em relação aos homens.
A resposta está em parte na reação de um componente-chave do sistema imunológico e as diferenças hormonais podem explicar isso, segundo estudo publicado na edição virtual da revista Nature Medicine.
O estudo se centra nas células dendríticas plasmocitoides do sistema imunológico, cuja função é detectar os micróbios intrusos e depois alertar o resto das defesas.
Estas células reconhecem o vírus da Aids através do Receptor Simil Troll 7 ou TLR7. Uma vez que o TLR7 está em alerta, as células chamam uma importante molécula do sistema imunológico chamada interferon alfa.
Os cientistas do Instituto Ragon do Hospital Geral de Massachusetts ficavam intrigados que os testes de laboratório que mostravam que altos níveis de progesterona dos hormônios femininos aceleravam a ativação das células dendríticas plasmocitoides.
O grupo relacionou então o interferon alfa com a ativação de uma das artilharias mais fortes do sistema imunitário, as células CD8.
Pesquisadores anteriores haviam detetado outro fenômeno intrigante.
Quanto mais se estimulavam as células CD8, mais rápido progredia a Aids no paciente, etapa na qual o sistema imunológico está tão devastado que o corpo fica a mercê de doenças oportunistas.
O pesquisador do Instituto Ragon, Marcus Altfeld, concluiu que estes resultados sugerem diferenças entre homens e mulheres diante do HIV, e sugeriu que ideia interessante pode ser o desenvolvimento de uma droga que paralise ou freie o sistema de alarme TLR7.
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