
PARIS, 29 Jul 2008 (AFP) - A epidemia de Aids está marcando o passo, com uma queda no número de mortos e de pessoas recentemente infectadas, mas seu nível continua inaceitável e seu futuro, incerto, segundo a ONUAIDS, a agência da ONU para essa doença.
De acordo com a ONUAIDS, ainda é preciso "intensificar a ação e aumentar os créditos, sem o que a epidemia, que atinge 33 milhões de pessoas, não poderá ser eliminada tão cedo".
A queda da mortalidade a dois milhões de pessoas, avanços "consideráveis" em alguns países contrabalanceados por um agravamento da situação em outros, créditos multiplicados por seis para os países pobres desde 2001: estas são as estatísticas publicadas pelo organismo especializado da ONU, nesta terça-feira, referentes a 147 dos 192 países da ONU. O documento antecede a Conferência Internacional sobre a Aids, no próximo domingo, no México.
O relatório constata uma situação "de certo modo melhor, com avanços encorajadores e, principalmente, uma melhora na prevenção, particularmente na distribuição de programas que evitam a propagação do vírus da mulher para o recém-nascido". Em dois anos, o número de infecções novas entre as crianças caiu de 410.000 para 370.000.
Mas a melhora é lenta. O número de pessoas que vivem com o HIV está aumentando devagar, graças às terapias que prolongam a vida dos portadores, mas a infecção está longe de ser eliminada. Apesar de, desde 2001, o número de novos casos ter passado de 3 milhões para 2,7 milhões, ou seja, uma queda de 10% em seis anos.
A África Subsaariana, onde apenas um terço das pessoas que precisam têm acesso a tratamento (45% a mais do que há dois anos), continua sofrendo. A Aids é a causa maior da mortalidade e 12 milhões das crianças são órfãs da Aids. A expectativa de vida é inferior a 40 anos no Zimbábue.
A prevenção vem ganhando espaço no território, e notamos em alguns países mudanças do comportamento sexual: recursos mais freqüentes ao preservativo entre os jovens com vários parceiros, aumento da idade nas primeiras relações. Assim, em Camarões, o percentual de jovens que tiveram as primeiras relações antes dos 15 anos passou de 35% para 14%.
Em contrapartida, as taxas de novas infecções pelo vírus HIV estão aumentando em outros países do mundo, como a China, o Quênia, a Rússia e o Vietnã.
Fora da África Subsaariana, a infecção atinge essencialmente os consumidores de drogas injetáveis, assim como as prostitutas e os homossexuais.
A Aids provoca uma mobilização "sem precedentes", ressaltou a Onuaids. "O mundo possui hoje os meios de prevenir os novos casos de infecção, de reduzir a doença e a mortalidade associada ao HIV, e de atenuar os efeitos nefastos da doença entre as famílias, as comunidades e as sociedades", afirmou o relatório.
Mas os ganhos em vidas humanas "não devem nos empurrar à auto-satisfação", destacou o diretor executivo da Onuaids, Peter Piot.
Estamos longe de realizar o compromisso dos países da ONU dando a todos um acesso à prevenção e ao tratamento em 2010, ou seja reverter os rumos da doença daqui a 2015.
É preciso vontade política, disse a Onuaids, e também mecanismos inovadores e duradouros de financiamento, com uma insistência particular sobre a prevenção.
Em 2007, mais de 10 bilhões de dólares foram colocados à disposição dos programas sobre a Aids. Para continuar melhorando o acesso aos cuidados como hoje, precisaríamos de 50% a mais. Já o acesso universal aos tratamentos e à prevenção custariam mais de 42 bilhões de euros. No México, este deve ser um assunto muito discutido.
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