
CHICAGO, EUA, 25 Fev 2008 (AFP) - O desenvolvimento de um gel vaginal que previna a infecção pelo vírus da Aids deu um passo à frente depois de comprovado que pode ser utilizado diariamente sem riscos para a saúde das mulheres, embora sua eficácia contra a doença, propriamente, ainda não tenha sido provada, anunciaram os pesquisadores nesta segunda-feira.
O microbicida, método preventivo experimental cujo desenvolvimento deixa os cientistas esperançosos quanto à batalha contra a Aids, já que atualmente não se conta nem com uma cura nem com uma vacina e a prevenção depende do uso da camisinha ou da abstinência sexual, ainda se encontra numa fase pouco avançada.
Os cientistas pediram a 200 mulheres sexualmente ativas e não infectadas com o HIV em Nova York e na cidade indiana de Puna que aplicassem o gel diariamente antes de manter relações sexuais por um período de seis meses. Também pediram que usassem camisinhas, além do gel.
Segundo os testes, não ocorreram transtornos nas funções do fígado, sangue ou rins e mais de 90% das mulheres disseram que pensavam seriamente em utilizar o gel se for provado que ajuda a prevenir a propagação do vírus da Aids.
"Agora podemos proceder com maior confiança em um caminho que responderá se este e outros géis com componentes específicos para o HIV será capaz de prevenir sua tranmissão nas mulheres", afirmou a chefe da pesquisa, Sharon Hillier, diretora da escola de Medicina da Universidade de Pittsburg, do departamento de enfermidades contagiosas do aparelho reprodutor.
As descobertas foram apresentadas nesta segunda-feira na convenção internacional de microbicidas em Nova Délhi, uma semana depois de os cientistas anunciarem o primeiro protótipo produzido para testes clínicos completos, mas não efetivo para prevenir a infecção.
Os cientistas buscam um método para que as mulheres, que fisicamente estão mais expostas a contrair a Aids do que os homens, possam se proteger sem ter que depender do consentimento do homem para usar preservativo nas relações sexuais.
Atualmente vários géis com microbicidas experimentais estão em teste em todo o mundo, mas nenhum se mostrou efetivo e alguns, inclusive, aumentaram o risco de contrair o vírus.
Entre 30,6 e 36,1 milhões de pessoas de todo o mundo têm Aids ou são portadoras do vírus de imunodeficiência humana (VIH), segundo cifras da OnuAids, agência especializada das Nações Unidas.
Na semana passada, um gel vaginal do tipo se mostrou ineficaz nos testes clínicos, que foram realizados integralmente pela primeira vez em um microbicida.
O gel microbicida, chamado Carraguard e produzido pelo Conselho da População - uma ONG especializada em pesquisa médica -, foi testado por três anos em provas clinicas avançadas.
"Estes foram os primeiros testes de um microbicida finalizados sem maiores problemas", afirmou Khatija Ahmed, que coordena a pesquisa.
"A pesquisa mostra que o Carraguard é inofensivo e não acarreta danos por uso vaginal durante dois anos. Entretanto, o estudo também não foi capaz de mostrar sua eficácia na prevenção do HIV do homem para mulher", afirma.
Carraguard, um gel sem cheiro e produzido a partir de um derivado de algas, obteve resultados promissores em laboratório, prevenindo a contaminação de células sadias. Contudo, esse resultado não conseguiu ser reproduzido posteriormente.
Os testes, realizados de março de 2004 a março de 2007, envolveram 6.202 mulheres em três cidades da África do Sul, o país mais atingido pelo vírus HIV no mundo, com 5,5 milhões de soropositivos em 48 milhões de habitantes.
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