
GENEBRA, 20 Nov 2007 (AFP) - O vírus da Aids infectou 2,5 milhões de pessoas este ano, aumentando para 33,2 milhões o número de soropositivos no mundo, segundo o relatório anual divulgado nesta terça-feira pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (Unaids).
Ao mesmo tempo, após uma revisão das estatísticas, o órgão reduziu em quase 7 milhões o número de portadores do vírus no ano passado. Segundo a Unaids, 32,7 milhões de pessoas tinham o vírus em 2006, contra 39,5 milhões no relatório anterior.
A revisão se deve a uma mudança nos cálculos, que pesou mais nas novas estimativas sobre a Índia e cinco países da África (Angola, Quênia, Moçambique, Nigéria e Zimbábue).
"Estes dados permitem compreender melhor a epidemia mundial", destacou o órgão da ONU.
"As novas estimativas não mudam nada na necessidade de uma ação imediata e o financiamento crescente para avançar no acesso universal à prevenção, no tratamento e nos cuidados", segundo a Unaids.
O órgão da ONU se rejeitou a comparação com os dados que forneceu ano passado. Ao mesmo tempo, revelou um forte recuo no número de infecções (2,5 milhões em 2007 contra 4,3 milhões em 2006) e mortes (2,1 milhões contra 2,9 milhões).
Os novos casos bateram recorde no fim dos anos 1990, passando dos 3 milhões.
A comparação com os dados de 2001 coloca em evidência uma estabilização da epidemia: há seis anos, o mundo tinha 3,2 milhões de novos casos de infecções, 29 milhões de soropositivos e 1,7 milhão de mortos. O percentual da população mundial (15 a 49 anos) atingido pela doença se manteve em 0,8% de lá para cá.
"Começamos sem nenhuma dúvida a perceber um retorno no investimento (na prevenção da Adis)", comemorou no comunicado o diretor executivo da Unaids, Peter Piot. "Os novos casos e mortes estão caindo e o percentual do HIV está se mantendo estável", disse.
"Porém, com mais de 6.800 novos casos e mais de 5.700 mortes a cada dia, devemos acreditar nos esforços para reduzir significativamente o impacto da Aids no mundo", afirmou.
A generalização dos medicamentos antiretrovirais reduziu o número de mortos nos últimos dois anos. Mas, na África, onde a maioria dos doentes não recebe tratamento, a Aids continua sendo a primeira causa de morte.
A África Subsaariana concentra dois terços dos novos casos de Aids, apesar de seu número ter caído de 2,2 milhões em 2001 para 1,7 milhão este ano. O percentual ficou em 5% da população adulta, contra 5,8% há seis anos, com fortes variações de um país para o outro: na Suazilândia, 33,4% dos adultos eram soropositivos em 2005.
A África austral concentra sozinha um terço dos novos casos e morte registradas a cada ano no mundo.
Na África também, a Unaids observou avanços na eficácia das campanhas de prevenção, como o fato de que os comportamentos sexuais parecem recuar entre os jovens em diversos países (Botsuana, Camarões, Chade, Quênia, Malauí, Togo, Zâmbia, Zimbábue). O percentual de infecção entre jovens grávidas também caiu em 11 dos 15 países do mundo mais atingidos pela doença.
A notícia ruim ficou para a região leste da Europa - Ásia central, onde o número de soropositivos aumentou 150% entre 2001 e 2007, com um percentual de 0,9% agora contra 0,3% na Europa ocidental e central.
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