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Estudo aponta novo meio de bloquear multiplicação do HIV

Agence France-Presse - Outurbo 25, 2007


PARIS, 25 Out 2007 (AFP) - Pesquisadores do Instituto de Genética Molecular de Montpellier (França) descobriram um novo meio de bloquear a multiplicação do vírus da Aids em testes de laboratório, de acordo com um estudo divulgado nesta sexta-feira pela revista on-line "Plos Pathogens", de acesso gratuito.

A equipe desenvolveu uma molécula química que ataca os mecanismos celulares utilizados pelo HIV para se multiplicar, enquanto os atuais medicamentos anti-Aids visam aos mecanismos do próprio vírus, explicou o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), em um comunicado.

"Em vez de atacar os componentes que o vírus leva consigo, visamos aos que ele utiliza na célula", disse à AFP o professor Jamal Tazi, do Instituto de Genética Molecular (Universidade de Montpellier/CNRS).

Essa abordagem "inteiramente nova" poderá permitir que se evite que o HIV, ao longo de mutações e adaptações sucessivas, encontre meios de resistir à ação do medicamento antiviral.

Ao infectar uma célula do sistema imunológico, o HIV integra seu próprio material genético no DNA dela, utilizando o aparato celular em seu proveito e produzindo novos vírus.

Um dos primeiros estágios necessários implica a produção de RNA (ácido ribonucleico), que fabrica as proteínas virais. Os pesquisadores chegaram a uma molécula química (IDC16) que impede a maturação do RNA do vírus.

A partir de um "RNA-pré-mensageiro", o aparato celular realiza um trabalho de "patchwork", com as enzimas recortando os íntrons (considerados intrusos) e "colando" os pedaços restantes para constituir o RNA-mensageiro (RNAm).

Esse processo é bloqueado, graças à molécula química testada, o que impede a maturação dos RNA virais e, portanto, a produção de proteínas indispensáveis para a replicação do vírus, acrescenta Tazi, especialista nesse método de "costura" do RNA.

Essa molécula é eficaz não apenas em cepas virais de laboratório, mas também em vírus isolados em pacientes, mesmo quando se trata de vírus que se tornaram resistentes às terapias habituais.

"As células tratadas sobrevivem", o que "favorece a reconstituição do sistema imunológico", destacou Tazi, acrescentando que os primeiros testes não mostraram toxicidade da molécula IDC16 para as células imunológicas.

Contrariamente aos RNA virais, os RNA necessários para a produção de proteínas humanas na célula chegam à maturação para os 200 primeiros genes testados, "mas é necessário analisarmos os 30.000 genes do genoma humano", frisou.

Se a molécula testada continuar se revelando como atóxica, essa estratégia pode visar também a outros vírus que utilizam processos celulares similares ao do HIV.

Levando-se em conta as fases de testes necessárias em animais e, somente então, no homem, a expectativa é de que demore pelo menos de 5 a 10 anos para que um remédio esteja disponível.

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