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Suspensão de pesquisas sobre vacina anti-Aids decepciona médicos

Agence France-Presse - Setembro 24, 2007


WASHINGTON, 24 Set 2007 (AFP) - A suspensão dos estudos clínicos de uma vacina experimental contra a Aids do laboratório americano Merck, considerada uma das mais promissoras do gênero até agora, foi um duro golpe nos esforços da medicina para combater esta devastadora epidemia.

"É uma grande decepção, essa vacina parecia bastante promissora durante seu desenvolvimento", declarou no final de semana à AFP a doutora Glenda Gray, que supervisionava os exames na África do Sul, onde vivem 5,5 milhões de soropositivos. "Registramos respostas imunológicas maravilhosas nos pacientes testados, mas essas respostas não se traduziram em proteção contra uma infecção pelo vírus HIV", disse Gray.

Desde fevereiro, o protótipo da vacina foi administrado a 700 pessoas não contaminadas em cinco hospitais sul-africanos, no primeiro teste dessa natureza já feito na África. Simultaneamente, desde 2004 são realizados testes nos Estados Unidos, Austrália, Peru, Brasil e Porto Rico.

O Instituto Nacional Americano de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês), que co-financiava o estudo clínico com o laboratório Merck, anunciou na última sexta-feira a decisão de um comitê independente de encerrar os trabalhos. A decisão se apóia na análise de dados intermediários, mostrando que a vacina não impedia a infecção com o vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da Aids.

Ao contrário das vacinas tradicionais já testadas até hoje contra o vírus da Aids, cujo mecanismo de ação consiste em estimular a imunidade do organismo, a vacina desenvolvida pela Merck agia tentando estimular os linfócitos T, responsáveis por indicar às outras células do sistema imunológico que devem combater uma infecção.

"A vacina estava sendo vista como uma estratégia promissora. Este fracasso é uma decepção para nós e para todos que trabalham com vacinas", declarou o doutor Mark Feinberg, diretor-geral da Merck, citado pelo jornal New York Times.

Apesar de ter considerado "os resultados do estudo decepcionantes", o doutor Anthony Fauci, diretor do NIAID, disse que ainda era cedo para jogar este tipo de vacina no lixo.

A notícia é "triste e muito decepcionante", estimou Zachie Achmat, presidente da principal associação de ajuda a vítimas da Aids, a Treatment Action Campaign (TAC). "Mas ao mesmo tempo mostra que os estudos clínicos estão bem controlados e que podem ser interrompidos se não estiverem levando a lugar nenhum".

Estão em curso atualmente outros dois estudos clínicos de vacinas, em menor escala, na África do Sul, um dos países mais afetados pela doença, com uma taxa de contaminação de 18,4% em 2006.

Desde a identificação do vírus HIV, em 1981, a quantidade de portadores do patógeno não pára de aumentar, com quase 40 milhões de pessoas infectadas no mundo. São mais de quatro milhões de novos doentes a cada ano, 90% deles nos países em desenvolvimento.

A Aids deixou mais de 25 milhões de mortos nos últimos 25 anos, a maioria na África subsaariana.

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