
SÓFIA, 24 jul 2007 (AFP) - As cinco enfermeiras e o médico búlgaros mantidos na prisão durante oito anos na Líbia, onde haviam sido acusados de ter inoculado o vírus da Aids em centenas de crianças, chegaram nesta terça-feira a Sófia após sua libertação ocorrida algumas horas antes.
Os seis búlgaros, levados a bordo de um avião do governo francês, estavam acompanhados da esposa do presidente francês Nicolas Sarkozy, Cécilia, e da comissária européia de Relações Exteriores Benita Ferrero-Waldner.
O anúncio do retorno à Bulgária das enfermeiras e do médico, que sempre alegaram inocência, havia sido feito simultaneamente em Sófia e Paris no início desta terça-feira.
Na pista do aeroporto, os seis búlgaros libertados caíram nos braços de seus parentes.
"Vivi apenas para este momento", disse com os olhos marejados a enfermeira Snejana Dimitrova, de 54 anos, ao lado de seus filhos Ivaïlo e Paulina.
Perto dela, Valentina Siropoulo, 48 anos, reencontrava seu filho, colegial na época de sua ida à Líbia no anos 1990 e agora estudante universitário.
"Estou na Bulgária, a grande Bulgária !", exclamou o médico de origem palestina Achraf Joumaa Hajuj, recentemente naturalizado búlgaro.
Após as boas-vindas, o presidente da República Guéorgui Parvanov concedeu o indulto a todos, para que possam viver livres em solo búlgaro.
As cinco enfermeiras chegaram à Líbia nos anos 1990, após o fim do comunismo na Bulgária, com o objetivo de obter um futuro melhor, e o médico, que havia viajado para um estágio, foram acusados de terem inoculado o vírus da Aids em 438 crianças líbias, das quais 56 morreram. Mais tarde, foram condenados à morte, pena depois comutada pela prisão perpétua, o que permitiu sua extradição.
Sua libertação abre assim caminho para um reforço das relações entre a União Européia e a Líbia, declararam em uníssono nesta terça-feira autoridades européias.
O presidente da Comissão Européia José Manuel Barroso anunciou também estar engajado ao lado do presidente líbio Mouammar Kadhafi pela normalização das relações entre Bruxelas e Trípoli.
"As relações foram normalizadas. Recebemos garantias da normalização das relações com países europeus e de um acordo de parceria com a União Européia", saudou um membro do governo líbio que solicitou o anonimato.
Trípoli obteve garantias do tratamento das crianças e da reforma do hospital de Benghazi (norte), onde as crianças líbias foram infectadas com o vírus da Aids.
Quanto ao presidente francês Nicolas Sarkozy, ele anunciou nesta terça-feira que realizaria na quarta-feira uma "viagem política" à Líbia para ajudar na integração das duas nações. Sarkozy afirmou que "nem a Europa nem a França" haviam "enviado a menor contribuição financeira à Líbia" para obter a libertação dos búlgaros.
O chefe da diplomacia líbia, Abdelrahman Chalgham, havia afirmado, no entanto, que a UE e Paris haviam contribuído com compensações financeiras em acordo com o Fundo especial de Benghazi de ajuda às famílias das crianças líbias contaminadas com o vírus da Aids.
"Todos contribuíram com o Fundo, inclusive a União Européia e a França. Eles enviaram as somas às famílias e até mais", declarou em Trípoli.
O chefe de Estado búlgaro Guéorgui Parvanov comemorou o "papel ativo de nossos parceiros europeus" e em particular de Sarkozy, aguardado na Bulgária em setembro, de Barroso e de Benita Ferrero-Waldner. Também agradeceu Cécilia Sarkozy "por seu engajamento pessoal".
A rede "Sair do Nuclear", uma federação de associações, acusou Nicolas Sarkozy de ter recorrido a "uma troca nuclear" propondo a Muammar Kadhafi "tecnologia nuclear em troca das enfermeiras búlgaras".
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