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OMS lembra médicos da importância de lavarem as mãos

Agence France-Presse - Maio 2, 2007
Ken Dermota

WASHINGTON, 2 mai (AFP) - Lavar as mãos pode parecer o mínimo que os médicos devem fazer pelos seus pacientes. No entanto, uma comissão da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou este simples hábito de higiene juntamente a uma série de outras medidas, também simples, para reforçar a segurança daqueles que recebem tratamento médico no mundo.

"As soluções para a segurança dos pacientes que estamos divulgando hoje poderiam parecer óbvias à primeira vista", disse Dennis O'Leary, presidente do painel.

"Mas a palavra de ordem de Hipócrates de 'primeiro, não façam mal'' também era óbvia há vários séculos e ainda temos sérios problemas com a segurança dos pacientes", disse.

Erros elementares como não usar agulhas esterilizadas, não tratar o paciente correto ou não administrar os medicamentos certos estão entre as principais causas de danos a pacientes por profissionais da saúde, informaram membros da comissão.

Felizmente, as soluções também são elementares, segundo o painel, que listou nove soluções para serem aplicadas pelos mais de 100 Estados-membros da OMS.

Algumas, no entanto, serão mais bem aceitas em alguns lugares que em outros, como o uso freqüente de produtos de limpeza para as mãos em países muçulmanos.

Nestes países, "as enfermeiras são condenadas por suas famílias por usar álcool", disse Karen Timmons, membro da comissão. Por isso, "adaptaremos estas soluções às crenças locais", explicou O'Leary.

A pobreza também tem a ver, visto que alguns países em desenvolvimento freqüentemente reutilizam agulhas ao invés de descartá-las.

"Na África, 18% das infecções por HIV ocorrem por agulhas infectadas reutilizadas", explicou o médico sul-africano Tebogo Kgosietsile Letlape, membro da comissão e ex-presidente da Associação Médica Internacional.

Conectar o cateter ao medicamento correto e as partes certas do corpo é outra recomendação do painel, assim como identificar bem os pacientes antes de procedimentos invasivos, como cirurgias, ou de entregar um recém-nascido a seus pais.

As equipes médicas também devem identificar a parte do corpo que precisa de tratamento, especialmente quando se trata de membros ou órgãos duplicados, como os pulmões, talvez com marcas indeléveis. Apesar dos protestos dos médicos de que é uma medida boba.

"As cinco palavras mais perigosas são 'Isto não poderia acontecer aqui'", disse Liam Donaldson, presidente da Aliança Mundial para a Segurança dos Pacientes da OMS.

Os medicamentos com nomes similares também preocupam, acrescentou a comissão, assim como as soluções de eletrólitos, normalmente utilizadas para combater a desidratação, mas que podem causar mais problemas se seus níveis não forem controlados.

Finalmente, os médicos devem comunicar quando encaminharem seus pacientes a novas equipes, ou quando houve mudanças de tratamento.

O painel recomenda que os pacientes se envolvam em seus cuidados e que se assegurem que os cirurgiões dediquem um minuto para verificar se estão operando a área ou o membro correto.

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