
PARIS, 28 mar (AFP) - A circuncisão, que permite reduzir a transmissão sexual do vírus da Aids (HIV) da mulher para o homem, deve fazer parte das estratégias de prevenção dessa doença, segundo as recomendações de especialistas divulgadas nesta quarta-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela OnuAids.
De acordo com a OMS e com a agência das Nações Unidas especializada na doença, milhões de vidas poderiam ser salvas, em particular na África Negra, se a circuncisão se generalizasse, com a condição de que os serviços de saúde sejam reforçados e que, em particular, os homens circuncidados não adotem comportamentos de risco acreditando estar 100% protegidos.
As conclusões e recomendações são resultado de uma consulta internacional organizada de 6 a 8 de março na Suíça.
De acordo com três estudos realizados na África, no Quênia, Uganda e África do Sul, a circuncisão diminui em 60% os riscos de infecção pelo vírus da Aids (HIV).
A demonstração da eficácia da circuncisão é "um marco na história da prevenção do HIV", segundo a OMS e a OnuAids.
Seu impacto será maior onde a infecção pelo HIV transmitido heterossexualmente é mais freqüente onde poucos homens são circuncidados, segundo a OMS.
"Estas recomendações representam um passo à frente na prevenção do HIV", declarou o Dr. Kevin De Cock, diretor do departamento de HIV/Aids à OMS. "No entanto, é preciso esperar alguns anos para se observar um efeito positivo desta estratégia contra a epidemia", prevê.
Ela deverá beneficiar mais as zonas de hiperendemia, ou seja, onde a freqüência ("prevalência") da infecção na população total ultrapassa 15%, com a propagação do vírus principalmente heterossexual, e onde mais de 80% dos homens não são circuncidados.
As vantagens também serão consideráveis nas zonas de epidemia generalizada (prevalência na população de 3% a 15%), com relativamente poucos homens circuncisos, segundo especialistas.
Entretanto, insistem, "a circuncisão não protege completamente o homem".
É uma medida a mais, que deve estar entre as medidas preventivas (preservativos, etc).
Hoje, 665 milhões homens são circuncisos, ou seja, 30% da população masculina mundial, segundo estimativas.
A ética proíbe evidentemente que seja exercida qualquer tipo de pressão ou que se torne obrigatória esta cirurgia, que deve ser realizada em boas condições de higiene.
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