agence france-presse
click here to return to agence france-presse main menu
DonateNow



Para especialista, a desigualdade é a verdadeira tragédia por trás da Aids

Agence France-Presse - Março 20, 2007
Oscar Laski

CIDADE DO MÉXICO, 20 mar (AFP) - Ainda que amanhã se anuncie a descoberta de uma vacina que ofereça 100% de proteção contra a Aids, a desigualdade social pode gerar as condições para o aparecimento de uma nova doença, disse nesta terça-feira Pedro Pedro Cahn, presidente da Sociedade Internacional da Aids, em entrevista à AFP.

"Se não entendermos que dois terços da população vivem com dois dólares diários, mesmo que amanhã - fato improvável - as manchetes dos jornais dissessem que temos uma vacina para proteger 100% da população, certamente acabaríamos com a Aids, mas não terminaríamos com a situação para que uma nova doença se instale", alertou o especialista.

O profissional perguntou "qual será a nova doença que se abaterá sobre um mundo onde predomina a desigualdade social, a falta de acesso aos sistemas médicos, o estigma da discriminação, todos elementos que nutrem a epidemia".

"A pergunta típica ocorrerá quando sair a vacina: temos vacina suficiente para a quantidade de pessoas que continuam morrendo. A vacina contra o sarampo custa quatro centavos de dólar; no entanto, um milhão de crianças morrem de sarampo todos os anos", disse Cahn na capital mexicana.

O cientista argentino participa de uma reunião preparatória da Conferência Internacional sobre Aids, que será celebrada em 2008 no México, na qual são esperados 20.000 especialistas. Esta será a primeira vez que o evento ocorrerá na América Latina.

Sobre a situação da doença na região, ele disse que se estimam em 1,5 milhão os portadores do vírus HIV e sustentou que a doença se concentra de forma crescente na "população mais jovem, mais feminina e mais pobre".

Esclarecendo que isto não significa que um homem de 50 anos com a "carteira recheada" esteja isento de se contaminar, o especialista considerou os mais pobres como os mais vulneráveis também pela "falta de acesso à informação".

"Quando uma pessoa está excluída da informação, não tem acesso à TV a cabo, nem internet e está desempregada, interage muito menos com a sociedade e, por conseguinte, tem mais chances de contrair a doença", destacou.

A esse respeito, defendeu a necessidade de buscar "mais ativamente" este setor como forma de reduzir a margem de propagação da doença.

Cahn reconheceu os grandes avanços no combate à Aids, mas ao mesmo tempo lembrou que 8.000 pessoas morrem da doença diariamente por "falta de acesso aos serviços médicos".

"A Aids é um paradigma dos séculos XX e XXI: não existem antecedentes na história da medicina. Há apenas 26 anos se descreveram os primeiros casos da doença e há apenas 24 anos se descobriu o vírus e vai fazer 20 anos desde que se descobriu a primeira droga (AZT)", destacou o cientista.

Ele disse que atualmente "dispomos de 22 drogas e uma quantidade muito importante de combinações, que nos permitiram reduzir em 80% a taxa de mortalidade", mas insistiu em que "8.000 pessoas continuam morrendo de Aids no mundo".

"Existem avanços na pesquisa que são muito importantes e, por outro lado, a falta de acesso aos serviços médicos", disse à AFP, antes de participar de uma entrevista coletiva.

Os organizadores do encontro mundial de 2008 discutem nesta terça-feira, no México, sobre "as pesquisas recentes sobre HIV/Aids, os progressos e os passos seguintes para assegurar o acesso universal à prevenção na América Latina" e "a desinformação sobre" a doença.

070320
AF070339_PT


© Agence France-Presse 2007. Todos o direitos são de propriedade exclusiva da AFP. Os artigos e fotografias não podem ser publicados, transmitidos, reescritos para transmissão ou publicação, ou redistribuidos direta ou indiretamente por nenhum outro órgão de comunicação sem a autorização prévia por escrito da AFP. O material informativo da AFP não pode ser arquivado total ou parcialmente em um computador, salvo para uso pessoal (e não comercial). A AFP não será responsável por nenhum atraso, imprecisão, erros ou omissões em nenhum de seus materiais informativos ou na transmissão ou entrega em sua totalidade ou em parte, ou por qualquer dano em geral. Como se trata de um serviço de notícias, a AFP não tem autorizações particulares das pessoas, grupos ou entidades tratados em suas fotografias ou gráficos citados em seus textos. Tampouco tem autorização dos proprietários de qualquer marca registrada ou matérias com direito de autor incluídos nas fotografias ou materiais de AFP. Em consequência, o usuário será o único responsável pela obtenção de qualquer autorização por parte de qualquer indivíduo ou entidade para uso dos artigos, fotos ou gráficos da AFP.  http://www.afp.com/

AEGiS is a 501(c)3, not-for-profit, tax-exempt, educational corporation. AEGiS is made possible through unrestricted grants from Boehringer Ingelheim, Bridgestone/Firestone Charitable Trust, Bristol-Myers Squibb Company, Elton John AIDS Foundation, John M. Lloyd Foundation, the National Library of Medicine, Roche and Trimeris, and donations from users like you. Always watch for outdated information. This article first appeared in 2007. This material is designed to support, not replace, the relationship that exists between you and your doctor.

AEGiS presents published material, reprinted with permission and neither endorses nor opposes any material. All information contained on this website, including information relating to health conditions, products, and treatments, is for informational purposes only. It is not meant to be a substitute for the advice provided by your own physician or other medical professionals. Always discuss treatment options with a doctor who specializes in treating HIV.

Copyright ©1980, 2007. AEGiS. All materials appearing on AEGiS are protected by copyright as a collective work or compilation under U.S. copyright and other laws and are the property of AEGiS, or the party credited as the provider of the content.