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Epidemia de Aids permanece estável na América Latina

Agence France-Presse - Novembro 21, 2006


GENEBRA, 21 nov (AFP) - A América Latina registrou quase 140.000 novas infecções pelo HIV e 65.000 mortes em decorrência de complicações causadas pela Aids em 2006, segundo o relatório da ONU divulgado nesta terça-feira, que apresenta uma estabilidade da epidemia em toda a região.

Dois terços dos 1,7 milhão de soropositivos diagnosticados na América Latina vivem nos quatro maiores países: Brasil, Argentina, Colômbia e México. No entanto, a situação é preocupante nos países menores da América Central, aponta o documento.

O Brasil mereceu um destaque positivo das Nações Unidas. No país, o número de infectados ainda é preocupante, cerca de 620.000 pessoas vivem com o HIV, um terço do total da América Latina, indica o estudo da ONU. Mas o registro se manteve estável nos últimos anos graças ao trabalho governamental de prevenção e tratamento.

O informe destaca o aumento espetacular do uso de preservativos entre os brasileiros de todas as idades e a diminuição do uso de drogas injetáveis, embora continue sendo considerável e na região sul "não dê indícios de que vá retroceder".

Os níveis de infecção estão associados de forma significativa, segundo o relatório, a fatores como a transmissão em meio a presidiários, às relações sexuais sem proteção entre homens - quase a metade das infecções e 25% "como forma de pagamento" de viciados em drogas - ou ao consumo de "crack" em cidades como Porto Alegre.

Um terço dos adultos brasileiros se submeteu ao exame de HIV, a maioria mulheres, e "o fornecimento de antirretrovirais é um dos maiores do mundo, gerando resultados positivos", indica o relatório.

Os níveis de infecção pelo HIV variam muito entre as garotas de programa, de muito baixo em países como Chile e Venezuela a alto em cidades da Argentina ou em certas áreas do Brasil, ressalta o informe.

Ainda de acordo com o relatório, a transmissão do HIV se alastra por fatores comuns à maioria dos países latino-americanos: "pobreza e migração generalizadas, informação insuficiente fora das grandes zonas urbanas e homofobia galopante".

Concretamente, diz, "o papel das relações sexuais sem proteção entre homens tende a ser negado e ignorado publicamente nas estratégias para enfrentar o HIV, sobretudo na América Central e na região andina da América do Sul".

As relações sexuais sem proteção entre homens "representam de 25 a 35% dos casos de Aids registrados em países como Brasil, Argentina, Bolívia, Guatemala e Peru", indica o relatório, que denuncia a existência de "estigma e discriminação, inclusive por parte dos trabalhadores dos serviços de saúde".

Na Argentina, a maioria das 130.000 pessoas infectadas pelo vírus vive nas províncias de Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé.

Até 44% dos usuários de drogas intravenosas são soropositivos, assim como 28% dos detentos de algumas prisões urbanas. As relações sexuais sem proteção são a principal forma de transmissão da epidemia na Argentina (quatro em cada cinco novos casos em 2005).

Os viciados em drogas injetáveis tendem a usar pasta de cocaína de grau baixo, mais barata, e a clandestinidade prevalece entre os consumidores, que "não foram beneficiados o suficiente pelo programa de tratamento antirretroviral do país", segundo o documento da ONU.

No México (180.000 infectados em 2005), a epidemia se concentra entre os homens homossexuais (57%), profissionais do sexo e seus clientes e consumidores de drogas intravenosas.

"Também há uma propagação significativa do HIV em zonas rurais do país, e a migração (incluindo a que ocorre entre México e Estados Unidos) parece ser um fator contribuinte", conclui o informe.

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