
PARIS, 26 out (AFP) - Um novo estudo que será publicado na edição desta quinta-feira da revista científica britânica The Lancet lançou uma luz sobre as perigosas cepas de tuberculose resistentes a medicamentos que surgiram na África do Sul, provocando uma alta mortalidade entre pessoas contaminadas com o vírus da Aids.
Segundo o artigo, a prevalência destas cepas resistentes é muito maior do que se pensava.
Uma equipe de cientistas americanos e sul-africanos realizou testes em pacientes com suspeita de tuberculose na província de KwaZulu-Natal para a cepa multidroga resistente (MDR) e a denominada cepa extremamente resistente a medicamentos (XDR).
As cepas MDR passaram pela primeira linha de antibióticos normalmente usada para tratar a tuberculose. Já as cepas XDR são uma mutação recém-descoberta do bacilo da tuberculose que não apenas desbancam a primeira linha de drogas, mas também a segunda linha.
Das 1.539 pessoas testadas por cultura em laboratório, 542 tiveram resultado positivo para tuberculose. Destas 221 tinham a cepa MDR e 53, a XDR.
O estudo, dirigido por Neel Gandhi, da Universidade de Yale, foi realizado entre janeiro de 2005 e março de 2006 no distrito de Msinga, na província de KwaZulu-Natal.
O percentual de cepas resistentes a drogas revelou-se muito maior do que se estimava. Em 2002, a tuberculose MDR em novos pacientes de KwaZulu-Natal era de apenas 1,7% e um outro estudo realizado entre 2003 e 2006 registrou 9%.
Todos os pacientes de risco que fizeram teste para HIV foram co-infectados pelo vírus e somente um não morreu. Eles sobreviveram, em média, apenas 16 dias depois da coleta da amostra.
A identidade genética dos bacilos da tuberculose sugere que os pacientes haviam sido infectados pouco antes do teste e que alguns foram contaminados ainda no hospital, destacou o estudo.
"As descobertas mostram o efeito devastador da tuberculose XDR em pacientes e profissionais de saúde, suas assustadoramente altas taxas de mortalidade nos infectados com HIV e a rápida disseminação hospitalar", acrescentaram os especialistas em tuberculose Annelies Van Rie e Donald Enarson, em um comentário do artigo.
Estima-se que ocorram a cada ano cerca de 450.000 novos casos de tuberculose MDR, segundo estimativas publicadas em setembro pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A OMS acredita que cerca de 9 milhões de pessoas são infectadas com tuberculose a cada ano.
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