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Tuberculose e Aids em prisões: ameaça para saúde pública latino-americana

Agence France-Presse - Setembro 25, 2006
Luis Jaime Cisneros

LIMA, 25 Set (AFP) - A tuberculose e a Aids são as doenças mais disseminadas nas prisões, que se tornaram um reservatório de infecção, especialmente na América Latina, e uma ameaça para a saúde pública, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

A alta taxa de infecções e a facilidade de propagação dessas doenças nas prisões e fora delas através das visitas as tornam um fator de risco para a saúde pública, coincidem especialistas do CICV.

"No fim, toda a comunidade está na mira", disse Sergio León, médico da Célula de Saúde nas prisões do CICV para a América Latina e o Caribe.

Historicamente, a incidência de tuberculose é mais alta nas prisões do que na população em geral, mas na América Latina essa taxa supera o nível de prisões anglo-saxãs e européias, segundo Hernán Reyes, coordenador médico para assuntos de saúde prisional da entidade.

"Na Bolívia, a prevalência é 10 vezes maior nas prisões que em toda a população do país. No Peru, é 12 vezes maior, mas no Brasil esta situação dispara até um nível 100 vezes maior", afirmaram os dois funcionários.

"É necessário reforçar o sistema de saúde penitenciário com programas de informação, diagnóstico rápido e exames preventivos para tuberculose no ingresso dos presos. Também se deve reforçar a luta contra o HIV com preservativos, terapia retroviral e tratamento de doenças sexuais", acrescentou León.

"O problema é que nada disto pode ser feito sem a vontade política das autoridades", disse Reyes à AFP.

O CICV considera as prisões "reservatórios de infecção" para a bactéria responsável pela tuberculose devido ao fato de elas oferecerem perfeitas condições para seu desenvolvimento: confinamento, má condição de vida, falta de ventilação e de luz solar nos ambientes.

As prisões e os sistemas de saúde vigentes na região são uma pedra no sapato para a realização de diagnósticos precoces e para a adoção de tratamentos adequados. Um tratamento de tuberculose dura no mínimo 6 meses e no máximo, dois anos.

Isto, somado ao acesso limitado aos serviços de saúde da população penal, aumenta o risco de infecções de tuberculose e HIV/Aids, sustentou León.

"Os riscos de contrair a infecção e a doença para os presos são válidos também para todos os demais que trabalham ou visitam as prisões", afirmou Reyes.

A má alimentação, o estresse e a infecção por HIV contribuem também para aumentar o risco. Tudo isto se potencializa com tratamentos incompletos e a corrupção nas prisões, segundo os especialistas.

O caso da prisão peruana de Lurigancho é emblemático, assegurou Reyes, médico chileno radicado em Genebra, sede do quartel-general do CICV, que participou em Lima de um seminário sobre saúde penitenciária na região.

Lurigancho é a prisão mais superpovoada da América Latina, com uma população prisional próxima de 9.000 detentos, quando sua capacidade é de 2.000, superando inclusive as penitenciárias do Brasil e da Argentina, disse Reyes à AFP.

Nesta prisão, o governo peruano leva adiante um programa sanitário contra a tuberculose, que serve como um laboratório regional com apoio internacional.

Em Lurigancho, cada cela tem menos de 4 metros quadrados - o mínimo básico no padrão internacional - e é ocupada por mais de um preso.

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