
TORONTO, Canadá, 17 ago (AFP) - A dupla infecção por HIV e tuberculose está se tornando um dos principais problemas na crise da Aids, segundo a 16ª Conferência Internacional sobre a doença, que acontece nesta semana, em Toronto.
"Mais de um terço dos infectados com o HIV também apresentam o bacilo da tuberculose", assinalou nesta quarta-feira Helene Gayle, presidente da Sociedade Internacional da Aids, que organiza a conferência de seis dias.
"As ações conjuntas contra a tuberculose e o HIV podem salvar vidas, e devem ser aceleradas", acrescentou Helene. Os dois patógenos, quando agem de forma simultânea, causam 25 milhões de mortes por ano.
No ano passado, foram contabilizados 4 milhões de novos casos de infecção por HIV, e quase 9 milhões de casos de tuberculose, indicou Paul Nunn, do organismo contra a tuberculose Stop TB Partnership. Entre os mais de 2 milhões de pessoas que morreram de Aids, mais de uma em cada 10 perderam a vida por causa da tuberculose.
O problema da infecção conjunta é que muitos dos infectados com a bactéria da tuberculose desconhecem o problema, enquanto apenas um em cada 10 infectados por esse micróbio chega a desenvolver a doença. Mas o vírus pode ser reativado anos depois, se a imunidade do indivíduo estiver baixa, o que acontece, por exemplo, quando ele é infectado pelo HIV. Em alguns casos, quando ocorre a infecção conjunta, a morte pode ser questão de meses, segundo especialistas.
Estes últimos defendem um aumento dos esforços no estudo da tuberculose, e a implementação de novas ferramentas de diagnóstico que possam detectar rapidamente a presença do bacilo. Também pedem às farmacêuticas que invistam mais para enfrentar o problema das cepas de tuberculose que resistem aos antibióticos.
"A tuberculose pode ser tratada e curada, motivo pelo qual a maioria dessas mortes é completamente evitável", assinalou Kevin De Cock, diretor do departamento de HIV/Aids da Organização Mundial de Saúde (OMS).
A organização Create (consórcio para responder efetivamente à epidemia de Aids e tuberculose) divulgou as primeiras descobertas de um estudo feito no Brasil, que detalha as formas de prevenir a tuberculose nos infectados pelo HIV.
"O tratamento preventivo contra a tuberculose é bem-sucedido na redução de casos da doença em quem tem HIV e Aids, inclusive se a pessoa já está fazendo o tratamento com anti-retrovirais", afirmou Richard Chaisson, principal pesquisador desse estudo, dirigido pelo americano Centro Johns Hopkins para a Pesquisa da Tuberculose e apoiado por pesquisadores e especialistas de América do Sul, África e Europa.
O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela chamou a atenção para o vínculo entre a tuberculose e o HIV na 15ª Conferência Internacional sobre a Aids, em 2004. Desde então, houve promessas envolvendo esse tema na sessão especial da Assembléia Geral da ONU sobre a Aids e na Reunião de Cúpula do G-8 neste ano, além da reunião de cúpula africana do ano passado, na Nigéria, onde os líderes daquele continente foram convocados a incrementar as ações contra a tuberculose.
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