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Ter Aids permite a muitos haitianos ter acesso à alimentação

Agence France-Presse - Augosto 17, 2006
Clarens Renois

LASCAHOBAS, Haiti, 17 Ago (AFP) - Em frente a um armazém com provisões do Programa Alimentar Mundial da ONU (PAM), vários haitianos - todos tuberculosos ou com o vírus da Aids - fazem fila para receber sua ração alimentar.

Das 400 pessoas atendidas diariamente no hospital de Lascahobas (centro do país), entre 60 e 70 estão doentes e têm direito a receber um suplemento nutricional de 1.500 quilocalorias oferecido pelo PAM.

"Esta doação da organização da ONU, bem como uma ajuda mensal de 30 a 40 dólares de uma ONG americana, incitam as pessoas de Lascahobas (57 km ao leste de Porto Príncipe) a fazer testes de Aids", explicou Fricelyne Chelot, enfermeira do centro de saúde.

Trezentas famílias de 5 a 7 membros cada se beneficiam deste programa, lançado há vários anos pela ONG "Partners in Health" com sua filial haitiana, "Zanmi lasante" (Amigos da saúde, em créole).

"É preciso cuidar da Aids" e fazê-lo levando em conta a extrema pobreza na qual está consumido o país, o mais pobre do continente americano, explicou Wesler Lambert, médico chefe do hospital de Lascahobas.

"Se quisermos melhorar a situação sanitária em seu conjunto, devemos agir sobre fatores sócio-econômicos", destacou.

O médico contou ter testemunhado cenas de desespero, com haitianos que deixam hospitais devastados porque não foram selecionados pelo programa de assistência social e, portanto, não poderão se beneficiar de uma ração adicional.

Lambert explica que o desespero é tal que alguns haitianos declaram que preferem "morrer de Aids amanhã a morrer de fome hoje".

O médico pediu para as autoridades haitianas intervirem.

Além dos adultos, 200 crianças e adolescentes, assim como órfãos da Aids, são tratados por este programa de saúde/nutrição da organização americana e do PAM. Graças a este programa, são tratados, alimentados e têm a escolaridade paga.

"Há visivelmente uma clara melhora de saúde desde a chegada da (ONG) 'Partners in Health' nesta região do país", constatou a enfermeira Francelyne.

Paralelamente, aumentou a taxa de freqüência aos centros de saúde. Os haitianos mais pobres vão aos médicos sabendo que, além dos cuidados gratuitos de saúde, poderão receber alimentos.

Para James Morris, diretor-executivo do PAM, é indispensável incluir o apoio nutricional nos programas de saúde.

"Financiar uma campanha de anti-retrovirais sem se ocupar da alimentação é como gastar uma fortuna para consertar um automóvel quando não temos o dinheiro necessário para encher o tanque", acrescentou.

No Haiti, que tem oito milhões de habitantes, 76% da população vivem com menos de 2 dólares por dia. A insegurança alimentar afeta 40% dos lares.

Segundo a ONU, a Aids está retrocedendo no país, mas ainda afeta entre 4% e 5% da população total.

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