
TORONTO, Canadá, 16 ago (AFP) - Os medicamentos que combatem o HIV estão, finalmente, chegando aos países pobres afetados pela Aids em volumes significativos, e as pesquisas estão encontrando novos tratamentos, segundo relatórios divulgados nesta quarta-feira, na conferência internacional sobre a Aids.
Mas continua a preocupação com o ritmo de acesso aos medicamentos na África Subsaariana, que fica no continente mais pobre do mundo, o mais afetado pela pandemia.
Estima-se que 38,6 milhões de pessoas em todo o mundo tenham o HIV. Dessas, 6,8 milhões, que vivem em países com receita baixa ou média, precisam do tratamento anti-retroviral.
Três anos atrás, a quantidade de pessoas que tinham acesso a essas drogas era de apenas 400 mil. No fim de junho, esse total havia aumentado para 1,65 milhão, equivalente a 24% dos que necessitam, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
"Embora os 76% ainda sem tratamento representem um copo predominantemente vazio, a tendência tem sido animadora nas áreas com maior quantidade de pessoas com HIV", indicou Kevin De Cock, diretor do departamento de HIV-Aids da OMS. Pela primeira vez, o número de doentes em tratamento na África Subsaariana superou 1 milhão, 10 vezes mais do que em 2003. Os africanos representam atualmente 63% de todos as pessoas que recebem tratamento", assinalou.
A cobertura das necessidades de tratamento varia muito segundo a região: 5% no Norte da África e Oriente Médio, 13% no Leste Europeu e Ásia Central, e 75% na América Latina e Caribe. Os anti-retrovirais levam o vírus a níveis administráveis, mas não representam a cura, o que significa que o paciente não pode deixar de tomá-los.
Segundo Julio Montaner, professor da University of British Columbia, no Canadá, os medicamentos para a Aids evoluíram "de forma espetacular" desde o surgimento do tradicional coquetel, há uma década. Mas para De Cock e Montaner, não se deve baixar a guarda.
"A África Subsaariana ainda concentra 70% das necessidades de tratamento mundiais não-satisfeitas", assinalou De Cock. "Um total de 90% dos medicamentos estão no norte do mundo, enquanto 90% dos pacientes estão no sul", comparou Montaner. Dois terços da população com HIV/Aids vivem na África Subsaariana.
Embora os anti-retrovirais tenha surgido em 1996, foram necessários sete anos, e uma forte campanha política, para que os medicamentos começassem a chegar à África em volumes significativos. Esse trágico atraso, que levou à perda de milhões de vidas, deveu-se, principalmente, ao alto preço das drogas.
Em 2003, a situação mudou. O preço caiu, graças a concessões da indústria farmacêutica, aos medicamentos genéricos e à liberação de verbas para a distribuição dos remédios.
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