
TORONTO, Canadá, 15 Ago (AFP) - Lições de arte erótica, pornografia e linguagem vulgar dão um tempero diferente à conferência internacional sobre Aids, celebrada nesta semana em Toronto (Canadá), com ativistas tentando mostrar que o sexo seguro também é sexy.
Uma oficina sobre como encontrar o "ponto G" feminino, uma exposição de trabalhos artísticos e estudos que mostram que o sexo gratificante pode ser fundamental para conter o contágio do HIV têm se tornado populares à margem da conferência.
"Sexo vende", comentou um dos mais de 100 delegados que se apertavam em uma pequena sala para o seminário intitulado "Onde está o prazer do sexo seguro?".
"As pessoas estão cansadas de ouvir sobre a fatalidade e o pessimismo da Aids. Esta oficina parece divertida", disse outro.
Wendy Kerr trabalha no Pleasure Project (Projeto Plazer), que ajuda educadores do Camboja a quebrar a barreira da timidez para falar sobre sexo e permitiu a sacerdotes de Moçambique aconselhar casais a ter sexo de mais qualidade para que os maridos não procurem outras mulheres e corram menos riscos de contrair HIV.
Vinte e cinco anos de ativismo contra a Aids deixaram de lado que "sexo é diversão", explicou Kerr. "O sexo seguro não precisa ser chato", emendou.
Sua equipe enumerou dezenas de grupos em todo o mundo que promovem o Kama Sutra (guia indiano de posições sexuais) para ensinar prostitutas como satisfazer seus clientes sem penetração e outros jogos sexuais, e ensinou diretores britânicos de filmes pornô como usar preservativos em filmes de sexo explícito "de um jeito sexy", explicou Kerr.
Um curta-metragem de 15 minutos exibido na oficina ensinou como as mulheres podem colocar preservativos em seus parceiros usando os lábios e outros truques sexuais.
"Se as pessoas se sentirem bem no campo sexual, isto minimiza os riscos (de se contaminarem com doenças sexualmente transmissíveis)", disse a ativista Neha Patel.
Mas as barreiras culturais e de linguagem sobre a sexualidade no sul e no sudeste da Ásia, onde estes temas são tabu, com forte ênfase na moralidade, dificultam a prevenção, informou.
Os homens freqüentemente se negam a usar preservativos porque reduzem seu prazer, comentou um participante.
"A forma como os homens pensam sobre os preservativos é uma grande barreira", admitiu Wendy Kerr.
Lebogang Ramafoko, da organização sem fins lucrativos Soul City, na África do Sul, disse que uma pesquisa feita em maio com centenas de homens africanos mostrou que eles buscam sexo de risco com mulheres que não são suas esposas porque não ousam falar com suas esposas sobre sexo.
"Todos disseram: 'Não posso ter esta discussão sobre prazer com minha esposa, sobre o que me faz feliz, e sobre a experimentação", contou Ramafoko à AFP.
"Esta dificuldade para falar sobre sexo alimenta o contágio de Aids", acrescentou.
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