
TORONTO, 15 Ago (AFP) - A circuncisão, os géis vaginais bloqueadores e os microbicidas podem revolucionar os esforços para a prevenção de contágio do HIV, vírus causador da Aids, uma estratégia que atualmente depende quase exclusivamente do uso de preservativos, informaram especialistas na conferência internacional sobre Aids, que se celebra esta semana em Toronto (Canadá).
Estas e outras poderosas armas podem, em menos de cinco anos, revolucionar o combate à propagação do vírus da imunodeficiência humana, mas só se primeiro superarem uma série de obstáculos, advertiu um relatório apresentado na maior conferência mundial dedicada à doença, que este ano conta com um recorde de participação.
"Em muito pouco tempo podemos ter novas e altamente eficazes formas de evitar muitos dos quatro milhões de contágios que ocorrem anualmente", declarou nesta terça-feira Helene Gayle, uma das diretoras do Grupo Mundial de Trabalho de Prevenção do HIV, uma equipe de 50 especialistas de destaque autores do estudo.
"Mas estas ferramentas terão um impacto muito pequeno no mundo real se não forem tomadas medidas imediatas para completar os testes em andamento, fazer novos testes clínicos e chegar até as pessoas mais necessitadas", acrescentou.
O estudo, intitulado "Novos enfoques sobre a prevenção do HIV: acelerar e assegurar o acesso ao futuro", destacou o trágico fracasso das tentativas para conter o avanço da Aids, que apareceu 25 anos atrás e já matou 25 milhões de pessoas.
Cerca de 39 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com a doença ou são soropositivas. Em 2005 foram registrados 4,1 milhões de novos contágios e morreram 2,8 milhões de pessoas.
Até agora não existe cura para a Aids, apenas tratamentos com remédios anti-retrovirais para reduzir os níveis de HIV a níveis administráveis. A busca por uma vacina ainda não deu resultados.
Isto deixa a prevenção quase totalmente nas mãos do preservativo ou da abstinência sexual, dois métodos que impedem aos responsáveis pelo combate à Aids controlar o alcance de seu uso, especialmente em culturas de predomínio masculino.
O grupo de trabalho, apoiado pelo casal Bill e Melinda Gates, destacou seis novos e promissores métodos de prevenção:
- circuncisão: os homens circuncidados correm menos riscos de serem contaminados sexualmente;
- diafragma intra-uterino: protege a frágil mucosa da parte superior da vagina;
- administração preventiva de anti-retrovirais;
- cuidados com o contágio de herpes: reduzem o risco de lesões causado por este vírus sexualmente transmissível e que triplica as chances de contaminação pelo HIV;
- microbicida, um gel que seria inserido na vagia, assim como os atuais cremes espermicidas, que bloquearia ou mataria o HIV presente no sêmen. Cinco fórmulas promissoras são atualmente testadas em humanos. Uma delas é denominada Carraguard, cujos testes terminam em dezembro de 2007. Se funcionar, estará disponível no mercado a partir de 2009;
- vacina preventiva: objetivo a mais longo prazo, em vista das constantes mutações do vírus.
Para desenvolver todos estes métodos é preciso muito dinheiro para pesquisa, desenvolvimento e treinamento dos trabalhadores de saúde nos países em desenvolvimento.
Um dos riscos é que estas ferramentas preventivas, parcialmente eficazes, levem alguns a baixarem a guarda, voltando a assumir comportamentos sexuais de alto risco.
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