agence france-presse
click here to return to agence france-presse main menu
DonateNow



OMS quer sistematizar detecção da Aids para evitar contágio

Agence France-Presse - Augosto 14, 2006
Isabel Parenthoen

TORONTO, 14 ago (AFP) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) quer dar aos médicos e enfermeiros mais instrumentos para a detecção do vírus da Aids, já que apenas 10% de seus portadores no mundo sabem que estão infectados, disse o responsável pela Aids na OMS, Kevin De Cock.

"Apenas 10% das pessoas que vivem com o HIV no mundo sabem que são soropositivas, é aterrador", sublinhou De Cock numa entrevista à AFP, à margem da conferência internacional sobre a Aids em Toronto (Canadá).

"Devemos reforçar o diagnóstico voluntário", mas "também devemos aumentar maciçamente a detecção e o acompanhamento iniciado pelos profissionais da saúde", estimou o diretor do departamento HIV/Aids na OMS.

"A OMS não pode aceitar que pessoas atendidas por profissionais da saúde não recebam um eventual diagnóstico de soropositividade", acrescentou, lembrando que a assembléia-geral das Nações Unidas determinou como objetivo um acesso universal à prevenção e aos cuidados antes de 2010.

Mas uma proposta deste tipo é controversa, porque as pessoas infectadas pelo vírus da Aids são vítimas de isolamento em vários países onde os defensores dos direitos humanos temem a aplicação de diagnósticos forçados.

"Devemos nos assegurar de que as pessoas não serão discriminadas, estigmatizadas" e "que os pacientes tenham um direito real de rechaçar o diagnóstico", reconheceu De Cock. "Mas devemos fazer mais do que fizemos até agora".

"A prevenção deve estar no centro de nossa resposta à doença, o aumento dos tratamentos não conseguirá frear a epidemia", indicou, afirmando que para isso é preciso trabalhar com todas as pessoas soropositivas.

No mundo, 12% das pessoas que desejam ter um diagnóstico podem fazê-lo. Da população adulta, 0,1% submeteu-se a uma análise no sul e no sudeste asiático e 0,2% na América do Norte. A taxa de detecção é mais elevada na África Subsaariana, a região mais afetada pela Aids (2,2%).

Outra prioridade da OMS, em matéria de prevenção, é atacar o problema da transmissão do vírus de mãe para filho, algo perfeitamente controlado nos países ocidentais.

Esse problema é "sobretudo africano" já que "quase 90% das crianças que têm Aids são africanas", segundo De Cock. No sul do Saara, a Aids foi responsável por 6,5% das mortes de crianças menores de cinco anos em 2003. Uma em cada duas crianças infectadas não chega aos dois anos de idade. Menos de uma em cada 10 mulheres grávidas soropositivas recebe cuidados que podem impedir a transmissão.

"Cada bebê que nasce com HIV é o resultado de uma série de fracassos", estimou o médico. "O fracasso da prevenção entre crianças e mulheres jovens, o fracasso da educação sexual para evitar a gravidez não desejada, o fracasso das estruturas de saúde que deveriam poder impedir a transmissão de mãe para filho", assegurou.

Outro grupo da população relegado a segundo plano é o dos usuários de drogas injetáveis, motor da epidemia no Leste Europeu (sobretudo na Rússia) e na Ásia Central. "Aí trata-se sobretudo de uma questão de vontade política", destacou De Cock. Os países afetados pelo fenômeno "podem fazer muito mais".

060814
AF060851_PT


© Agence France-Presse 2006. Todos o direitos são de propriedade exclusiva da AFP. Os artigos e fotografias não podem ser publicados, transmitidos, reescritos para transmissão ou publicação, ou redistribuidos direta ou indiretamente por nenhum outro órgão de comunicação sem a autorização prévia por escrito da AFP. O material informativo da AFP não pode ser arquivado total ou parcialmente em um computador, salvo para uso pessoal (e não comercial). A AFP não será responsável por nenhum atraso, imprecisão, erros ou omissões em nenhum de seus materiais informativos ou na transmissão ou entrega em sua totalidade ou em parte, ou por qualquer dano em geral. Como se trata de um serviço de notícias, a AFP não tem autorizações particulares das pessoas, grupos ou entidades tratados em suas fotografias ou gráficos citados em seus textos. Tampouco tem autorização dos proprietários de qualquer marca registrada ou matérias com direito de autor incluídos nas fotografias ou materiais de AFP. Em consequência, o usuário será o único responsável pela obtenção de qualquer autorização por parte de qualquer indivíduo ou entidade para uso dos artigos, fotos ou gráficos da AFP.  http://www.afp.com/

AEGiS is a 501(c)3, not-for-profit, tax-exempt, educational corporation. AEGiS is made possible through unrestricted grants from Boehringer Ingelheim, Elton John AIDS Foundation, the National Library of Medicine, Bridgestone Firestone Trust Fund, and donations from users like you. Always watch for outdated information. This article first appeared in 2006. This material is designed to support, not replace, the relationship that exists between you and your doctor.

©1990, 2006 - AEGiS. AEGiS presents published material, reprinted with permission and neither endorses nor opposes any material. All materials appearing on AEGiS are protected by copyright as a collective work or compilation under U.S. copyright and other laws and are the property of AEGiS, or the party credited as the provider of the content.