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Especialistas alertam para ineficácia de estratégia única contra a Aids

Agence France-Presse - Augosto 14, 2006
Richard Ingham

TORONTO, 14 Ago (AFP) - A Aids está se desdobrando em milhares de formas, avançando em algumas partes da África, mas detendo-se em outras, e ameaçando o sul da Ásia e os países da antiga União Soviética, alertaram cientistas nesta segunda-feira, ao fazer um balanço sobre a pandemia.

Em suas apresentações na 16ª Conferência Internacional sobre Aids, os pesquisadores se referiram ainda a um potencial calcanhar de Aquiles que algum dia poderá expor o vírus letal a vacinas, gel microbicida e novos tratamentos.

O epidemiologista americano Chris Beyrer, da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, disse que a epidemia de HIV/Aids é "muito variada" quanto ao local e a forma como está se espalhando.

Como conseqüência, uma estratégia única de combate deve ser descartada, a favor de respostas que apontem para as necessidades locais, destacou.

Beyrer informou que o HIV está se espalhando mais rapidamente no leste europeu, na Ásia Central e na antiga União Soviética.

"A epidemia é impulsionada pelo aumento do acesso à heroína, fundamentalmente pelo forte aumento da produção de heroína no Afeganistão", disse Beyrer.

Outra forte preocupação é o aumento das infecções entre homossexuais e bissexuais masculinos.

"Estamos vendo uma propagação em locais do Primeiro Mundo, especialmente nos Estados Unidos, mas também o surgimento de epidemias em países em desenvolvimento", destacou, afirmando que a homofobia e o silêncio permitem ao vírus se disseminar rapidamente.

Na África, disse Beyrer, a Aids mostra um continente ainda mais dividido do que antes. Na região subsaariana, que tem 11% da população mundial, vivem quase dois terços dos 38,6 milhões de pessoas com Aids ou soropositivas.

A agência ONUAids calcula que aproximadamente 40% da população soropositiva vivam no sul da África e que 37% de todas as novas infecções em 2005 ocorreram ali.

Beyrer destacou algumas fontes da infecção por HIV que explicam porque a África do Sul e seus vizinhos correm tantos riscos: migração por motivo de trabalho, desigualdade de gênero, violência doméstica "e provavelmente alguns fatores biológicos, como baixas taxas de circuncisão, altas taxas do vírus do herpes e baixo uso do preservativo".

No entanto, um relatório do Banco Mundial (Bird) descreveu a epidemia na Índia e em outros países do sul da Ásia como "severa", mas evitável.

"Se pudermos proteger os grupos vulneráveis, podemos impedir uma epidemia no sul da Ásia", disse David Wilson, especialista do Bird.

A Aids matou 25 milhões de pessoas desde que apareceu, há 25 anos. No ano passado, a doença matou 2,8 milhões de pessoas e 4,1 milhões foram infectadas com o HIV.

Cientistas que participaram da conferência, iniciada no domingo e que se estenderá por seis dias, explicaram sua busca por uma vacina e um creme vaginal, denominado microbicida, para impedir a infecção.

Julie Overbaugh, do Fred Hutchinson Cancer Research Centre, em Seattle, Washington, informou que evidências estão indicando lentamente vulnerabilidades genéticas do HIV em algumas pessoas e fragilidades do próprio vírus.

Juntas, podem ser "o calcanhar de Aquiles" do HIV, avaliou.

Overbaugh se referiu a uma concentração de açúcar, denominada glicosilação, identificada em cadeias de HIV especialmente resistentes ao ataque dos medicamentos anti-retrovirais.

"Os açúcares protegem as proteínas do vírus e bloqueiam o acesso de outras moléculas ao vírus", destacou.

"Uma área de interesse é ver se podemos encontrar antibióticos que possam especificamente atingir estes vírus particulares, atravessando esta camada açucarada", disse.

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