
TORONTO, 14 Ago (AFP) - A combinação de quatro medicamentos anti-retrovirais não é uma nova arma revolucionária contra o vírus HIV, causador da Aids, revelou um estudo divulgado durante a Conferência Internacional sobre Aids, que se celebra em Toronto (Canadá).
Nos últimos 15 anos, os pesquisadores descobriram primeiro que a ingestão de dois medicamentos contra o HIV era mais eficaz que a de apenas um, logo aprenderam que a triterapia (coquetel de três medicamentos) era melhor que a biterapia.
As terapias combinadas inibem a proliferação do vírus e dão fôlego às defesas imunológicas. Como conseqüência, o estado geral do paciente melhora.
Embora não leve à cura, o desempenho alimentava a esperança de que uma tetraterapia poderia ser ainda mais eficaz: ao agir mais rápido, a associação de quatro medicamentos poderia reduzir o período de tempo que permite ao vírus sofrer mutação e resistir ao tratamento.
Mas um estudo apresentado no domingo, em Toronto, representou um banho de água fria nas expectativas, ao não demonstrar a eficácia de uma tetraterapia com relação à triterapia.
Roy Gulick, do Weill Medical College da Universidade Cornell de Nova York, que fez o estudo, analisou 765 doentes que tiveram o HIV diagnosticado recentemente e que não haviam recebido tratamento prévio.
A metade destes doentes recebeu um coquetel clássico (AZT, epivir e efavirenz) e a outra, uma tetraterapia, ou seja, estes três medicamentos aos quais se somou o abacavir, comercializado com o nome de Ziagen.
Durante os três anos de análise, a triterapia fracassou no caso de 26% dos doentes, o que significa que precisaram mudar de tratamento para combater a doença. A tetraterapia fracassou em 25% dos doentes.
"Não encontramos diferenças significativas", concluiu o cientista.
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