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Mobilização da comunidade gay americana foi crucial na luta contra a Aids

Agence France-Presse - Augosto 10, 2006
Jean-Louis Santini

WASHINGTON, 10 Ago (AFP) - A mobilização da comunidade gay americana contra a Aids, que na década de 1980 dizimava os homossexuais, foi chave para a tomada de consciência sobre o risco da epidemia e para lançar uma campanha para combater a propagação da doença.

"O movimento gay americano mobilizou a opinião pública sobre o problema", explicou Achmat Dangor, encarregado do programa das Nações Unidas para a luta contra a Aids (OUNSIDA), consultado pela AFP às vésperas da conferência internacional sobre a doença, que será celebrada em Toronto (Canadá) entre 13 e 18 de agosto.

"Tudo começou com uma luta contra a discriminação para mostrar que a Aids não é uma doença vergonhosa que atinge unicamente os homossexuais, o que provavelmente foi a contribuição mais importante deste movimento", acrescentou.

Desde a identificação dos quatro primeiros casos de Aids - todos em homossexuais -, em junho de 1981, pelos centros de controles de doenças dos Estados Unidos, a comunidade gay começou a viver "o pior de seus pesadelos", mas também "a maior mobilização de sua história", destacou Craig Thompson, de 51 anos, diretor da fundação 'Aids Project Los Angeles'.

"Não só os primeiros casos identificados foram todos em homens gays, mas além disso a epidemia na década de 1980 continuou afetando esta comunidade e, em menor medida, heterossexuais viciados em drogas", acrescentou Thompson em entrevista à AFP.

Depois de um período de pânico e negação, a marginalização que sofreram por parte da direita americana levou "os homossexuais a se mobilizarem para combater a discriminação e proteger seus direitos fundamentais como cidadãos", destacou.

Logo a explosão da mortalidade começou a sensibilizar o público americano, acrescentou. Em junho de 1982, o número de vítimas fatais da Aids foi de 184, mas chegou a 20.849 em junho de 1987: a maioria homens homossexuais e bissexuais, segundo estatísticas oficiais.

"Mesmo os que não simpatizavam com as reivindicações dos homossexuais como o direito ao casamento começaram a se sensibilizar pelo destino das vítimas, todas mortas na juventude", disse Thompson, um ativista soropositivo desde 1983.

Hollywood também contribuiu para dar cara à doença, depois que o ator Rock Hudson anunciou que estava contaminado. O lendário símbolo sexual morreu pouco depois, aos 60 anos, em 1985, sem admitir sua homossexualidade.

Elizabeth Taylor também se dedicou ao tema. A famosa atriz foi ao Congresso americano com o fim de promover uma mobilização federal para combater a Aids.

Nesta época, organizações independentes de ajuda e luta contra a propagação da Aids, como o 'ACT UP', começaram a se multiplicar, financiadas com recursos privados e de grupos locais.

O 'ACT UP' se propôs chamar a atenção da mídia e, com esta finalidade, interrompeu uma sessão na bolsa de Nova York, em Wall Street. Em outubro de 1987, todas as organizações se mobilizaram para coordenar uma grande manifestação em frente à Casa Branca.

Muitos legisladores de grandes cidades como Nova York, Los Angeles e San Francisco, as mais afetadas pela Aids, trabalharam durante muitos anos para conseguir com que o Congresso agisse.

Mas a reviravolta ocorreu quando Ryan White, um adolescente hemofílico de uma comunidade rural do estado da Indiana (norte), infectou-se com o HIV após uma transfusão de sangue e o colégio onde estudava lhe negou o acesso.

O caso de Ryan White levou o Congresso a aprovar, em 1991, uma lei com seu nome que conseguiu os primeiros recursos federais para tratar e ajudar as vítimas da Aids.

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