
PARIS, 1º jun (AFP) - Quatro países, liderados pela França e pelo Brasil, vão apresentar nesta sexta-feira, na sede da ONU, em Nova York, um mecanismo de compra de medicamentos a baixo custo para ajudar os países pobres a lutarem contra a Aids, a malária e a tuberculose, que causam milhões de mortos por ano.
O programa Facilidade Internacional para a Compra de Medicamentos (Fiam), que foi rebatizado com o nome mais sonoro de "Unitaid" e seria financiado por uma taxa sobre as passagens aéreas, permitirá fornecer aos países em desenvolvimento, a custos mais baixos do que nos países desenvolvidos, medicamentos como os anti-retrovirais contra a Aids.
Apresentando por quatro países - França, Brasil, Noruega e Chile -, este projeto contará com o patrocínio da Federação Internacional de Futebol (Fifa), que dará publicidade excepcional à causa durante o Mundial-2006.
Um "acordo político" sobre este projeto será apresentado em Nova York pelo ministro das Relações Exteriores francês, Philippe Douste-Blazy, por seu colega brasileiro, Celso Amorim, pelo ministro norueguês da Paz e do Desenvolvimento Internacional, Erik Solheim, pela ministra chilena da Saúde, Lidia Amarales, e pelo diretor executivo da agência das Nações Unidas OnuAids, Peter Piot.
O presidente da Fifa, Sepp Blatter, e Pelé também irão a Nova York para um acordo com a Unitaid, anunciou o ministério francês das Relações Exteriores. Uma campanha publicitária sobre esta iniciativa será apresentada no dia 7 de junho no ministério das Relações Exteriores em Paris.
A Unitaid será financiada por fundos provenientes de 43 países, seja através de uma taxa sobre as passagens aéreas, como propõem a França e o Brasil, seja por outros meios.
A França não conseguiu, durante uma conferência no mês de março em Paris, obter o apoio dos países ricos, como Estados Unidos, Canadá e Austrália, assim como da maior parte dos países europeus, para este projeto das taxas sobre as passagens aéreas, caro ao presidente Jacques Chirac. Além da França e do Brasil, doze países se associaram a esta idéia (Chile, Chipre, Congo, Gabão, Costa do Marfim, Jordânia, Luxemburgo, Madagascar, Ilhas Maurício, Nicarágua, Noruega e Reino Unido), indicou uma fonte francesa.
No total, um bilhão de dólares por ano seriam destinados ao conjunto de países que defenderam esta taxa sobre as passagens de avião. Cerca de 250 a 300 milhões seriam enviados à França, para serem aplicados a partir de 1º de julho.
Este lançamento será feito à margem da conferência internacional sobre Aids, que foi inaugurada na quarta-feira nas Nações Unidas em Nova York com um discurso do secretário-geral da Onu, Kofi Annan, que lamentou a demora de alguns países em conter a propagação do vírus.
Esta conferência fará um balanço em nível mundial da luta contra a Aids, 25 anos depois do aparecimento desta doença que já matou mais de 25 milhões de pessoas.
Os recursos financeiros para lutar contra a doença chegaram a 8,3 bilhões de dólares no ano passado, conforme os objetivos fixados, mas as necessidades anuais vão ultrapassar 22 bilhões em 2008, advertiu a agência das Nações Unidas OnuAids.
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