
NOVA YORK (Nações Unidas), 2 jun (AFP) -O Brasil e a França estão prevendo arrecadar um bilhão de dólares por ano nos países que adotarem um novo mecanismo de compra de remédios a baixo custo para ajudar os países em desenvolvimento a lutar contra a Aids, a malária e a tuberculose.
Para isto, foi apresentada hoje na conferência das Nações Unidas sobre a Aids, em Nova York, uma taxa sobre o assunto, ou "Unitaid", que incide sobre as passagens aéreas; também conhecida como FIAM, Facilidade Internacional de Compra de Medicamentos.
A "Unitaid" ganhou a parceria da Federação Internacional de Futebol (Fifa).
Com isto, os capitães dos times das seleções que vão disputar a Copa do Mundo da Alemanha, vão trocar simbolicamente uma bola com o logotipo "Unitaid" no início de cada partida, declarou o vice-presidente da Fifa, Issa Hayatou. Será uma promoção excepcional, considerou, em termos de audiência estimada.
Uma bola "Unitaid" simbólica também foi assinada na sede das Nações Unidas pelo secretário-geral Kofi Annan, assim como por Hayatou, pelo ministro francês das Relações Exteriores, Philippe Douste-Blazy, e o colega brasileiro, Celso Amorim, assim como pelo ministro norueguês titular da Paz e do Desenvolvimento Internacional, Erik Solheim, e a ministra chilena da Saúde, Maria Soledad Barria.
Concebida por uma iniciativa franco-brasileira, à qual se juntaram depois a Noruega e o Chile, a Unitaid (ou FIAM, Facilidade Internacional de Compra de Medicamentos) será financiada por 43 países.
Quatorze deles (Brasil, Chile, Chipre, Congo, Gabão, Costa do Marfim, França, Jordânia, Luxemburgo, Madagascar, Ilhas Maurício, Nicarágua, Noruega e Reino Unido) participarão da iniciativa através de uma taxa sobre as passagens de avião.
As três doenças, sobre as quais incide a taxa, matam entre 6 e 8 milhões de pessoas por ano, a grande maioria nos países do Sul, por falta de acesso a tratamentos que são muito caros, pouco difundidos ou que ainda exigem pesquisa.
A "Unitaid" utilizará as estruturas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e se concentrará num primeiro momento sobre os tratamentos destinados às crianças.
O presidente francês Jacques Chirac, numa mensagem lida na conferência por Douste-Blazy, considerou que uma situação em que "a esmagadora maioria dos doentes (de Aids) está no Sul e os remédios sempre no norte" é "moralmente condenável, politicamente perigosa e economicamente absurda".
A "Unitaid" contribuirá para impor "um modelo econômico novo", disse ele, permitindo, por sua capacidade de compra no atacado de medicamentos como os anti-retrovirais, dar "aos industriais a visibilidade indispensável para investir na pesquisa e em novas capacidades de produção farmacêutica", "consolidando assim a baixa dos preços".
Os defensores da "Unitaid" esperam que o lançamento deste projeto desperte o interesse sobre a taxa nas passagens de avião, que ainda provocam reações hostis ou reservadas de alguns países.
A França não havia conseguido, durante uma conferência no mês de março em Paris, a adesão da maioria dos países ricos, como os Estados Unidos, o Canadá, Austrália e a maior parte dos parceiros europeus.
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