
NOVA YORK, 25 jun (AFP) - Milhares de pessoas com as mais extravagantes fantasias se encontraram neste domingo para a 37a. Parada do Orgulho Gay marcada tristemente pelo 25o. aniversário do surgimento da Aids e pela polêmica volta da questão do matrimônio gay ao cenário político americano.
A forte chuva que caiu inicialmente não impediu que uma multidão se somasse ao desfile, uma manifestação que nasceu depois das revoltas de 1969 por causa de uma operação policial em um bar gay no bairro nova-iorquino de Greenwich Village.
"Casa comigo! A hora é essa!", se lia nas camisetas rosas de centenas de participantes congregados na Quinta Avenida.
"A questão é delicada porque é o último obstáculos antes de finalmente obtermos direitos iguais", explicou Phil Mannino, vice-presidente da associação Heritage of Pride, organizadora do "Gay Pride".
A luta contra o casamento gay voltou no início de junho à agenda da direita republicana, que tentou fazer votar no Senado uma emenda à Constituição destinada a proibir o matrimônio entre pessoas de mesmo sexo.
A emenda foi rejeitada, mas a questão, que conseguiu mobilizar parte dos eleitores republicanos nas eleições presidenciais de 2004, com certeza voltará ao debate político neste ano de eleições parlamentares.
"O presidente George W. Bush tenta desviar a atenção do público da guerra no Iraque ou do preço da gasolina", acrescentou Mannino. "Assim é a política, ele faz o trabalho dele. Mas estão abusando de nossos 'pais fundadores', que fundaram este país baseados na liberdade de religião".
Assumidamente republicano, Hugh Lukehart, que assistiu ao desfile com sua esposa usando uma camiseta com protestos contra Bush, não escondeu seu descontentamento cm o governo. "Sou a favor de direitos iguais", afirmou.
Para Sandy Colon, que vive com sua companheira há 22 anos e tem com ela uma filha de quatro anos, o casamento gay é a questão número um da manifestação deste domingo. "O amor continua sendo o amor, e queremos direitos iguais".
Apesar de apenas o estado de Massachussetts (nordeste) autorizar nos Estados Unidos o casamento entre pessoas de mesmo sexo, o tema é discutido atualmente no estado de Nova York (norte), e Sandy, como tantos outros, está à espera de uma decisão.
Convocados sob o lema "Combate pelo amor e a vida", em recordação pelos 25 anos da identificação da epidemia da Aids, os manifestantes interromperam a caminhada para fazer alguns minutos de silêncios pelas vítimas da doença.
"A Aids não terá desaparecido enquanto existir um aidético", dizia um cartaz, enquanto que o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, habitual participante do desfile, pedia ao público que fizesse o teste de Aids, algo essencial na luta contra esta doença.
Como Atenas, Paris e Lisboa, no sábado, e pouco antes do desfile de San Francisco, também neste domingo, a Parada Gay de Nova York continuou sendo fiel à sua tradição festiva.
"Estou aqui para expressar meu orgulho através da música, a linguagem da emoção", afirmou David Rosen, trombonista da grande orquesta "Lesbian and Gay Big Apple Corps".
A passeata, que, segundo os organizadores, reune entre 600.000 e um milhão todos os anos, percorre um trajeto de 5 km até o Greenwich Village.
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