
GENEBRA, 30 mai (AFP) - A incidência de novos casos do vírus HIV da Aids parece se estabilizar pela primeira vez em 25 anos de história da doença, apesar das previsões de que a pandemia global terá ainda um profundo e prolongado impacto, anuncia um novo relatório da ONU divulgado nesta terça-feira.
Enquanto o mundo obtém finalmente alguns avanços contra a expansão da doença, graças a um aumento maciço dos investimentos para enfrentá-la, um maior acesso a medicamentos e uma crescente conscientização, grandes problemas continuam preocupantes, já que os programas de prevenção em muitos países estão longe de alcançar seus objetivos, adverte a agência da ONU que coordena a luta contra o HIV.
"Acredita-se que o nível de incidência do HIV (a porcentagem de pessoas que foram infectadas com o vírus) chegou a um pico no final dos anos 90 e que se estabilizou depois, sem apresentar uma incidência crescente em vários países", afirma a agência Unaids em seu último "Relatório de Epidemia Global da Aids".
No entanto, a agência adverte que não há espaço para a complacência.
"Sabemos o que é necessário para se deter a Aids. O que precisamos agora é da vontade para conseguir que isso seja feito", sustenta o relatório.
A Aids matou mais de 25 milhões de pessoas desde que foi registrada pela primeira vez em 1981, afirma a Unaids, enquanto o vírus HIV que precede a Aids infectou 65 milhões de pessoas no mesmo período.
No último ano, a Aids tirou a vida de 2,8 milhões de pessoas e mais de 4,1 milhões foram infectadas, segundo o estudo.
Em 2003, a ONU estimou que havia 4,8 milhões de novos casos.
Uma estimativa mostrava que 38,6 milhões de pessoas viviam com o HIV no final de 2005 e que a vasta maioria delas não tinha consciência de que estava infectada, acrescenta o relatório.
O relatório Unaids é elaborado com base em números apresentados país por país, um trabalho que a agência sediada em Genebra realiza uma vez a cada dois anos.
O documento destaca "importantes progressos" nos últimos cinco anos, depois que uma cúpula da ONU em 2001 fixou um plano de objetivos para 2015 com a meta de conter e começar obter um retrocesso da epidemia de Aids.
No entanto, existe ainda "uma extraordinária diversidade" na epidemia, com uma mescla de sucessos e fracassos, indica o informe, ressaltando que a doença se expandiu de forma predominante entre os heterossexuais.
A região subsaariana continua sendo, de longe, a mais atingida com dois terços do total de pessoas que vivem com o vírus.
Dois milhões de pessoas morreram de Aids na região no ano passado e houve 2,7 milhões de novos casos.
Enquanto a epidemia na África do Sul - uma das piores do mundo - não diminui, outros países africanos conseguiram maiores avanços.
A incidência do HIV caiu no Quênia e Zimbábue, assim como em áreas urbanas de Burkina Faso.
O informe destaca que houve um declínio da doença no Cambodja e Tailândia. Ela cresceu na China, Indonésia e Vietnã.
A Índia superou a África do Sul como o país mais afetado pela Aids em termos do número absoluto de pessoas com HIV.
Apesar dos recursos globais para combater a Aids no ano passado terem alcançado os 8,3 milhões de dólares - dentro do previsto na cúpula da ONU em 2001 -, as necessidades anuais de investimentos devem superar os 22 bilhões de dólares até 2008, conclui o documento.
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