
WASHINGTON, 25 maio (AFP) - Vinte cinco anos depois da descoberta do vírus da Aids, uma equipe de cientistas definiu uma subespécie de chimpanzés do sul da República de Camarões como a "reserva natural" do vírus da Aids, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista americana Science.
Estes chimpanzés silvestres do subgrupo "Pan troglodytes troglodytes" são portadores sadios do vírus da deficiência imunológica em símios, uma infecção considerada como a "Aids dos macacos", e muito semelhante ao HIV-1 responsável pela pandemia humana de Aids, constataram cientistas franceses, americanos e britânicos que participaram desta investigação.
Para estudar o predomínio deste vírus nestes chimpanzés silvestres, a equipe internacional analisou os excrementos destes primatas que vivem nas regiões mais remotas da floresta tropical da República dos Camarões. Assim, constataram que o vírus da deficiência imunológica em símios (SIVcpz) se estendia muito entre esta população de chimpanzés.
Este vírus se transmite provavelmente ao homem pela caça e o consumo de carne infectada.
Segundo os cientistas, é possível que outros tipos do vírus SIVcpz existam em outros grupos de macacos e que podem gerar outro tipo de vírus passível de infectar os humanos.
"Os resultados deste estudo assim como as investigações feitas anteriormente lançam pela primeira vez luz completa sobre as origens do HIV-1 e da pandemia da Aids", destacaram os estudiosos das Universidades de Alabama (sul), Montpellier 1 (França) e Nottingham (Grã-Bretanha).
Resta determinar porque a localização desta "reserva natural" é diferente das de zonas geográficas onde apareceram os primeiros casos da enfermidade.
O primeiro caso humano de infecção por HIV foi o de um homem de Kinshasa, capital da atual República Democrática do Congo (RDC). Sua mostra de sangue foi tirada dezenas de anos antes que os cientistas conhecessem, inclusive, a existência do vírus da Aids.
Este vírus já causou 26 milhões de mortes e infectou mais de 40 milhões de pessoas no mundo, sobretudo na África subsaariana.
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