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Quênia e Brasil pedem fundos para doenças pouco estudadas

Agence France-Presse - Maio 16, 2006


NAIRÓBI, 16 mai (AFP) - Quênia e Brasil pediram nesta terça-feira a doadores e governos ricos recursos para desenvolver tratamentos para doenças pouco estudadas, mas que afetam sobretudo pessoas pobres.

Os dois países concordaram em patrocinar uma resolução sobre o assunto para ser apresentada num encontro sobre saúde global na próxima semana na World Health Assembly (WHA), em Genebra.

"Países em desenvolvimento têm a capacidade de oferecer novas soluções para velhas doenças", afirmou Davy Koech, diretor do Kenya Medical Research Institute (KEMRI).

"Todos os dias vemos como é difícil apoiar a pesquisa e o desenvolvimento de doenças que afetam os pobres, mas para as quais não há um mercado lucrativo", disse a jornalistas.

"Temos de colocar a saúde pública acima dos lucros privados", disse o ministro da saúde do Quênia, Ahmed Ogwel.

Guilherme Patriota, um representante do ministério das Relações Exteriores do Brasil, afirmou que a resolução daria aos governos a "oportunidade de acordar de sua inércia na pesquisa de saúde".

"Começamos a nos mover na direção certa, mas é essencial que desenvolvamos novos e melhores instrumentos de saúde para melhorar a saúde tanto dos pacientes quanto das economias de países em desenvolvimento", disse.

Enquanto o gasto global com a pesquisa em saúde aumentou de 30 bilhões de dólares (23 bilhões de euros) em 1986 para 105.9 bilhões de dólares em 2004, apenas 10% desse valor é gasto em doenças que afetam 90% da população mundial, de acordo com o Global Forum for Health.

Essas doenças incluem kala-azar, doença do sono, malária, tuberculose e HIV/Aids. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que pelo menos três bilhões de dólares (2.3 bilhões de euros) deveriam ser destinados anualmente às prioridades de saúde dos pobres.

A Drugs for Neglected Diseases Initiative, uma organização independente não lucrativa fundada em 2003, saudou a cooperação entre Quênia e Brasil como um importante passo para dar visibilidade ao problema.

"Está na hora de os governos mundiais ouvirem o pedido do Quênia e do Brasil ... e assumirem um papel de liderança na definição de prioridades na área de saúde", disse o diretor-executivo do grupo, Bernard Pecoul.

Mais de seis milhões de pessoas morrem a cada ano de doenças pouco estudadas, 97% delas em países subdesenvolvidos, de acordo com o grupo, que visa a desenvolver novos e melhores medicamentos para combater essas doenças.

A doença do sono ameaça 60 milhões de pessoas na África Subsaariana, que tem poucas opções de tratamento. A Kala-azar mata 60,000 pessoas a cada anom, mas o tratamento mais comum foi desenvolvido em 1930.

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