BUENOS AIRES, 7 Nov (AFP) - O ministro argentino da Saúde, Ginés González García, defendeu nesta segunda-feira a distribuição gratuita de preservativos nas escolas para prevenir a Aids e a gravidez indesejada, depois que um bispo se disse disposto a convocar a desobediência civil contra a medida.
"É uma lei da Nação, não é um capricho meu. E vamos cumpri-la, porque tem a ver com o direito das maiorias", advertiu o ministro em declarações à imprensa nesta segunda-feira.
"Vamos continuar com a política de saúde reprodutiva", que inclui a distribuição gratuita de preservativos e a educação sexual nas escolas, insistiu.
O presidente da Comissão de Pastoral Social e arcebispo da cidade de Resistencia (nordeste), monsenhor Carmelo Giaquinta, disse no domingo que "não duvidaria em convocar os cristãos à desobediência civil" se forem mantidas as políticas oficiais sobre saúde reprodutiva.
Giaquinta aludiu à denúncia da mãe de um aluno de uma escola de La Plata (sul), segundo a qual foram distribuídos preservativos e pílulas anticoncepcionais entre crianças do ensino fundamental.
O ministro considerou que não se pode destruir toda a política oficial "por alguma estupidez, como dizem que ocorreu em La Plata. O programa não prevê uma coisa dessas. É um disparate se alguém distribuiu isto para crianças".
A Igreja Católica, majoritária na Argentina, renovou no domingo a polêmica em torno da política de saúde reprodutiva do governo do presidente Néstor Kirchner, iniciada meses atrás pelo bispo militar Antonio Baseotto, e que resultou no esfriamento das relações com o Vaticano.
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