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Fundo contra a Aids e a malária não obtém recursos para ampliar trabalho

Agence France-Presse - Setembro 6, 2005


LONDRES, 6 Set (AFP) - Vinte e nove países se comprometeram, nesta terça-feira, em Londres, a doar 3,7 bilhões de dólares para o Fundo Global de Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária, valor muito abaixo das necessidades, para dinamizar o trabalho contra estas epidemias.

Em conferência celebrada em Londres, presidida pelo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, os países se comprometeram a doar 3,7 bilhões de dólares para um período de dois anos (2006-2007) para combater a Aids, a tuberculose e a malária, que a cada ano mata 6 milhões de pessoas no mundo.

Mas o fundo, criado há três anos para combater estas pragas, precisa neste período de dois anos de 7,1 bilhões de dólares para continuar e poder ampliar seu trabalho nos países pobres, os mais afetados por estas doenças, advertiram organizações da sociedade civil.

Os 3,7 bilhões de dólares aos quais se comprometeram os 29 países constituem "um bom começo, mas é só o início de um processo que deverá continuar durante um longo tempo", destacou em entrevista coletiva em Londres Peter Piot, diretor-executivo do programa da ONU contra a Aids (ONUAids).

A contribuição dos Estados Unidos, de apenas 600 milhões de dólares durante dois anos, foi qualificada de "decepcionante" por organizações da sociedade civil que lutam contra estas doenças.

A Câmara de Representantes e o Senado americanos decidiram que as ajudas de seu país para o combate a estas epidemias não deverão superar o terço do orçamento total do Fundo Global.

Mas a cifra de 600 milhões está abaixo do terço do orçamento, criticaram organizações não-governamentais (ONG), entre elas a Oxfam, a Action Aid e a Christian Aid.

"Esta é a primeira vez" desde a criação do fundo, há 3 anos, que a contribuição dos Estados Unidos é "mais baixa que sua meta de uma terça parte" do orçamento do fundo, destacou, por sua vez, Anandi Yuvaraj, membro da junta diretora do Fundo Global.

Os efeitos desta redução da contribuição americana "serão devastadores" em várias comunidades, advertiu Yuvaraj, que chamou os países doadores a aumentar sua contribuição.

A reunião foi celebrada em um contexto de valores cada vez mais alarmantes sobre o aumento destas epidemias no mundo, onde a malária afeta de 350 a 500 milhões de pessoas ao ano e, no fim de 2004, havia 39,4 milhões de pessoas infectadas pelo vírus HIV.

A tuberculose é a causa de 1,7 milhão de mortes todos os anos e mais da metade dos infectados com o vírus da Aids também sofrem desta doença.

Em vários países da África, 40% dos adultos estão infectados com o vírus.

O Fundo Global da ONU para combater estas pragas foi criado em 2001, durante a cúpula do Grupo dos Oito (os sete países mais industrializados do planeta e a Rússia), em Gênova, Itália, onde se comprometeram a impulsionar a luta contra a Aids e outras epidemias.

Desde a sua criação, desembolsou 1,4 bilhão de dólares para 300 programas de 127 países. Desta soma, a metade foi destinada para combater o HIV, 31% contra a malária e 13% contra a tuberculose, segundo números da ONU.

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