MÉXICO, 25 jan (AFP) - O pesquisador americano Michael Lederman, membro de uma equipe científica que trabalha na elaboração de uma molécula anti-HIV (PSC-Rantes) aplicável em creme ou gel na vagina, avaliou nesta terça-feira no México que os testes na mulher começarão depois de 2006.
"Com o PSC-Rantes, podemos prevenir completamente a transmissão vaginal do HIV no macaco (...) Será necessário pelo menos um ano antes de realizar testes em seres humanos", declarou, em uma entrevista coletiva.
Além do desafio científico, a elaboração das moléculas de síntese é custosa e ainda se deve esperar para que o tratamento seja economicamente acessível nos países do Terceiro Mundo, especialmente na África subsaariana, devastada pela pandemia.
"Temos de estabelecer que (o tratamento) é seguro e continuar os experimentos para nos assegurarmos de que o PSC-Rantes seja acessível nos países subdesenvolvidos", frisou.
Lederman, da Universidade de Cleveland (Ohio, norte dos EUA), junto com Robin Offord e Oliver Hartley, pesquisadores da Universidade de Genebra, Suíça, elaboraram a molécula, e seus estudos foram publicados em 15 de outubro na revista "Science".
Enquanto Lederman avaliou que a vacina contra a Aids é uma busca em vão, pois "o vírus é mais inteligente que os pesquisadores", seus colegas depositaram esperanças no PSC-Rantes, que consiste em neutralizar os receptores que podem fixar o HIV, vírus que origina a doença.
A aplicação do gel ou do creme antes do ato sexual não descarta, necessariamente, o uso da camisinha. "Uma mulher cujo companheiro seja soropositivo e que deseje uma proteção adicional poderá utilizá-lo, além do preservativo", ressaltou Lederman.
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