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Acesso a tratamento da Aids melhora, mas ainda há muitos excluídos

Agence France-Presse - Janeiro 26, 2005
Annie Hautefeuille

PARIS, 26 jan (AFP) - Cerca de 700 mil doentes de Aids recebem tratamento nos países pobres, uma gota no oceano de 5,8 milhões de pessoas que precisam urgentemente de medicamentos anti-retrovirais para sobreviver, segundo os últimos números da Organização Mundial da Saúde (OMS) e ONUAids.

Dois terços dos cerca de 39,4 milhões de soropositivos vivem na África Subsaariana, onde a epidemia já matou 2,3 milhões de pessoas em 2004, segundo os últimos números da ONUAids, organização encarregada de coordenar esforços de várias agências do sistema em sua luta contra a Aids.

Um ano depois de anunciar que o objetivo era fornecer tratamento para três milhões de doentes até o final de 2005 em países em desenvolvimento, a OMS e a ONUAids comemoram estar na metade do caminho, com um avanço espetacular no segundo semestre de 2004.

Entretanto, também insistem nos "enormes obstáculos" que é preciso superar para conseguir este objetivo para dezembro. O primeiro é encontrar os dois bilhões de dólares que faltam para os 3,8 bilhões necessários este ano para alcançar os objetivos nos 49 países mais afetados.

Também existe a possibilidade de redução dos custos dos medicamentos, estimados em 304 milhões de dólares por pessoa ao ano e do pessoal encarregado de administrá-los, destaca o informe.

Os anti-retrovirais podem causar efeitos colaterais, pois é necessário tomar diversos comprimidos, várias vezes ao dia, durante toda a vida, pois a Aids não tem cura.

Até 2003, os países do terceiro mundo não podiam fazer frente aos altos preços dos medicamentos, mas algumas empresas começaram a reduzi-los diante da pressão de países como o Brasil, que iniciou a produção de genéricos em casa.

De junho a setembro do ano passado, o número de pacientes em tratamento passou de 440.000 a cerca 700.000 (de 630.000 a 780.000, segundo estimativas divergentes), de acordo com o balanço divulgado nesta quarta-feira.

Entretanto, 5,1 milhões de adultos precisam urgentemente de tratamento. Deles, 72% vivem na África Subsaariana e 22% na Ásia.

Dos 700.000 doentes tratados com anti-retrovirais (ARV), 310.000 pacientes estão na África Subsaariana, onde o número de pacientes que recebe o tratamento dobrou em seis meses e o índice de sucesso das 'triterapias' é "tão grande" como nos países ricos, garante as duas organizações.

O Brasil continha sendo o principal exemplo da ONU nesta luta, onde 154.000 pacientes recebiam o tratamento no final de 2004. Na América Latina e Caribe, dois terços dos doentes tinham acesso ao ARV, mas apenas 8% na África e Ásia, segundo o informe que insiste na necessidade de garantir às mulheres e aos mais pobres o direito ao tratamento.

A OMS e a ONUAids insistem nos desafios futuros: garantir o tratamento para mais 2,3 milhões de pessoas até 2005. "É claramente a tarefa mais difícil que a comunidade internacional enfrenta."

Não se pode colocar uma campanha nas alturas quando apenas 12% dos doentes que precisam urgentemente de tratamento têm acesso, critica, por sua vez, a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF).

"As novas infecções vão muito mais depressa do que os pacientes recebem tratamento", declarou Annick Hamel, responsável da MSF pela campanha de acesso aos medicamentos essenciais. Todos os anos, cinco milhões de novas infecções são registradas e a Aids causa três milhões de mortes, lembra.

Ao responder sobre a possibilidade da ONU fracassar em suas metas por falta de dinheiro, a associação Act-Up pede que o presidente francês, Jacques Chirac, "meta a mão no bolso".

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