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Empresas fazem pouco ou quase nada na luta contra Aids

Agence France-Presse - Janeiro 21, 2005


LONDRES, 21 jan (AFP) - Os setores privados na África, Ásia e Rússia estão reagindo de forma muito lenta à necessidade de combater a epidemia de Aids, demorando para despertar para os prejuízos econômicos que causa, segundo uma pesquisa realizada com lideranças empresariais do mundo inteiro.

As companhias da maioria dos países não têm uma política escrita para lidar com os casos de Aids até que estes atinjam 20% da população nacional, de acordo com o estudo feito com nove mil líderes mundiais.

A resposta significa "muito pouco, muito tarde", em comparação com os benefícios que estas políticas poderiam gerar", disse Kate Taylor, diretora da Iniciativa Global de Saúde do Fórum Econômico Mundial.

Apesar de 14 mil pessoas contraírem o HIV, o vírus da Aids, todos os dias, a preocupação no meio empresarial diminuiu significativamente nos últimos 12 meses, com 71% das companhias sem qualquer política para lidar com a doença.

Mais de 65% dos empresários entrevistados não eram capazes de estimar a taxa de portadores de HIV em seu quadro de funcionários. A pesquisa também revelou que, ao longo da África subsaariana, mesmo em países onde o percentual de contágio oscilava entre 10% e 19%, apenas 7% das companhias têm políticas.

"Existe um 'gap' ainda maior entre o índice de contágio e políticas na China, Etiópia, Índia, Nigéria e Rússia", segundo o informe. Esta é a chamada "nova onda" de países que devem ter as maiores taxas de casos de Aids no mundo em 2010.

David Bloom, professor de Economia e Demografia da Harvard School of Public Health, que participou do estudo do Fórum e da Agência das Nações Unidas para a Aids, a ONUAids, disse temer que a epidemia esteja superando os esforços para combatê-la.

Nas áreas em que o contágio da Aids é de mais de 20%, como o sul e o centro da África, há um grande aumento do número de empresas preocupadas com a doença, afirmou Bloom durante a pré-publicação do resumo em Londres.

Agora, cerca de 72% das companhias nestas regiões têm políticas formais e informais para combater a epidemia, acrescentou Bloom.

"As empresas só agem quando a epidemia está bem na sua frente", concluiu o especialista, lamentando que "não conseguem chegar antes da doença".

O relatório termina recomendando que os empresários compreendam melhor o risco da exposição e aprendam a lidar com ele a partir de boas políticas locais.

A prioridade, tanto nos países com alta taxa de contágio, quanto nos que têm um pequeno percentual, é estabelecer políticas baseadas na não-discriminação e no respeito ao sigilo e à privacidade.

Os estudiosos parabenizaram o exemplo da Anglo American, uma companhia internacional de mineração e recursos naturais que avalia que sua taxa de contágio seja de 24% entre sua força de trabalho de 130 mil homens no sul da África. Nos últimos dois anos, a companhia implementou o aconselhamento voluntário e o teste de HIV, associados à terapia anti-retroviral para os funcionários contaminados, disse Taylor.

Mais de 90% dos 2.200 empregados da Anglo American que tiveram acesso ao tratamento estão bem e retornaram ao trabalho. "Nossa experiência crescente mostra que a ação efetiva no combate à Aids é sinônimo de boa administração dos negócios e leva a maiores lucros e operações sustentáveis", afirmou Brian Brink, vice-presidente do departamento de Saúde da Anglo American.

"É importante que as companhias encorajem todos os trabalhadores a fazer o teste de HIV, como parte do exame de rotina, em que se monitora a pressão arterial e o colesterol", completou Brink na nota distribuída pelo Fórum.

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