LAGOS, 19 jan (AFP) - Pelo menos dois milhões de crianças nigerianas ficaram órfãos por causa da Aids, pandemia que contribui diariamente para a morte de 900 pessoas neste país africano, alertou nesta quarta-feira a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF).
"Em vez de ser o futuro deste país, estas crianças crescem como órfãs sem pais que poderiam ter se ocupado de sua educação ou até ter-lhes ensinado as coisas mais básicas em suas vidas", disse o porta-voz da MSF, Tobias Luppe.
"Hoje, morreram e morrerão mais de 900 nigerianos por doenças relacionadas à Aids. Estas mortes desagregarão as famílias, separarão os filhos de seus pais e terão um impacto neste país", acrescentou, em nota.
"Mas estas mortes não são necessárias. Elas podem parar. Devem parar", frisou.
Dos mais de quatro milhões de nigerianos infectados pelo vírus HIV, cerca de 500.000 precisam urgentemente de tratamento com anti-retrovirais. Destes, somente 20.000 conseguem, acrescentou Luppe.
"Isso é médica e eticamente inaceitável. Isso tem de mudar. Todas as pessoas afetadas pela Aids na Nigéria têm direito a receber um tratamento contra a Aids, incluindo o tratamento anti-retroviral", defendeu.
Em 2003, entre 200.000 e 490.000 adultos e crianças vítimas da Aids morreram na Nigéria, o país mais populoso da África com 130 milhões de habitantes, de acordo com um estudo das Nações Unidas.
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