GENEBRA, 23 nov (AFP) - Em 2004, mais 4,9 milhões de pessoas contraíram o vírus da Aids, um dado oficial que representa um aumento de 12% da cifra total de portadores, calculada em 39,4 milhões de pessoas, revela o relatório 2004 da ONUAids/Organização Mundial da Saúde (OMS), que será publicado nesta terça-feira, em Genebra.
No mesmo período, 3,1 milhões de pessoas morreram da doença, sendo que todos estes números refletem apenas o que foi registrado oficialmente.
O aspecto mais alarmante da epidemia reside precisamente no ritmo progressivo de sua propagação. O índice mais significativo corresponde ao leste da Ásia, seguida pelo leste da Europa e Ásia Central. No leste asiático, houve um aumento de 56% nos últimos dois anos, enquanto que nas outras duas regiões foi de 48%.
As mulheres são muito vulneráveis e atualmente representam quase metade dos 37,2 milhões de adultos (15-49 anos) portadores do vírus da Aids no mundo.
O Caribe é também uma das regiões mais afetadas no mundo: "A transmissão do HIV ocorre principalmente através das relações heterossexuais, embora as relações sexuais entre homens, que são muito estigmatizadas,
também impulsionam a epidemia nos países caribenhos, onde a Aids passou a ser a causa principal da mortalidade em adultos de 15-44 anos", segundo este relatório.
"Na África Subsaariana, a região mais castigada, aproximadamente 60% dos adultos que vivem com o HIV, ou seja, 13,3 milhões de pessoas, são mulheres", assinalam os especialistas.
Estas estatísticas foram publicadas no Resumo da Epidemia Mundial da Aids, dezembro de 2004, o relatório anual da ONU e da OMS.
O estudo destaca que não existe uma só epidemia de Aids no mundo. "Muitas regiões e países estão experimentando diversas epidemias, algumas delas ainda nas primeiras fases".
"À medida que aumenta o número de pessoas que contraem o vírus da Aids e vivem com a doença, cresce também o número das que precisam de tratamento anti-retroviral, assim como de cuidado para as infecções", afirmam especialistas.
"As mulheres são fisicamente mais vulneráveis à infecção pelo HIV que os homens", de acordo com este relatório, que constata a impossibilidade de controlar a propagação da Aids simplesmente aconselhando a abstinência, a fidelidade e o uso de preservativos.
Na América do Norte e na Europa, um número crescente de pessoas se infecta através de relações heterossexuais sem proteção. "Nos Estados Unidos da América, a Aids afeta as mulheres afro-americanas e hispânicas, não na mesma proporção, e está entre as três primeiras causas de mortalidade para as afro-americanas da faixa etária de 35 a 44 anos", assinala.
O relatório destaca, por fim, que o investimento mundial no combate a Aids triplicou, "passando de 2,1 bilhões de dólares em 2001 para 6,1 bilhões em 2004, e o acesso a serviços básicos de prevenção e a atenção têm aumentado de forma substancial. No entanto, a doença continua se espalhando".
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