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Filme sobre antigo guru do sexo estremece os EUA

Agence France-Presse - Novembro 12, 2004
María Lorente

LOS ANGELES, 12 nov (AFP) - Vários grupos conservadores americanos prevêem protestos nesta sexta-feira contra a estréia de um filme sobre o pesquisador sobre sexualidade Alfred Kinsey, a quem acusam de promover a pornografia, a Aids e a pedofilia no país.

Mais de 50 anos depois de Alfred Kinsey publicar seu estudo "Sexual Behaviour of Human Male" (Comportamento sexual do homem), de 1948, que rapidamente se tornou um best-seller mas provocou uma onda de rejeição entre grupos conservadores, a velha polêmica ressurge com este filme que conta sua vida e é protagonizado por Liam Neeson.

"O legado de Kinsey não é o da ilustração sexual, como este filme parece dar a entender, em todo caso Alfred Kinsey é o responsável por minha geração ser forçada a enfrentar as devastadoras conseqüências das doenças sexualmente transmissíveis, da pornografia e do aborto", disse Brandi Swindell, do Generation Life, grupo de jovens conservadores.

O grupo prepara protestos em frente a vários cinemas de Los Angeles e Nova York, que lançarão o filme, chamado simplesmente "Kinsey", dirigido por Bill Condon e produzido pela Fox Searchlight.

O filme mostra o pesquisador "como um homem cheio de imperfeições, mas um sincero herói cultural", escreveu em comunicado Robert Knight, diretor do grupo Concerned Women for América (CWA).

"Alfred Kinsey estimulou pedófilos a abusarem de crianças, tudo em nome da ciência", disse Knight, que o comparou ao nazista Josef Mengele, 'o anjo da morte', médico macabro do campo de concentração de Auschwitz que realizou experiências com milhares de judeus aos quais depois matou.

"Acho que não é exagero dizer que Kinsley foi o padrinho do movimento ativista homossexual e promoveu a pornografia atual", disse Knight, diretor de um documentário sobre a pesquisa do cientista.

Apesar de ser previsível que um filme sobre o primeiro homem a revelar os segredos da sexualidade humana gerasse tamanha polêmica, o ator Liam Neeson disse que nunca hesitou em ser o protagonista.

"Nunca duvidei em interpretar o papel", disse em entrevista recente.

"Ele viu um vazio no conhecimento humano que queria preencher (...), queria pesquisar. Admiro essa disciplina de trabalho", disse o ator sobre o cientista nascido em 1894.

O papel de Neeson não é fácil. Sobretudo depois que James H. Jones, o biógrafo do cientista, descreveu as fortes práticas sadomasoquistas às quais Kinsey se submeteu, seu casamento "aberto" com Clara Mc Millen (interpretada por Laura Linney) e as entrevistas com pedófilos que fez para sua pesquisa.

Sobre as práticas sadomasoquistas, o ator declarou:

"Ele foi muito longe. Experimentou no limite da paixão e do prazer. O fez para compreender as pessoas com quem trabalhava. Tinha muito desejo de entendê-los".

Com tantas opiniões contra e a favor, o filme deverá repetir o fenômeno de "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson, e "Fahrenheit: 11 de Setembro", de Michael Moore, que se tornaram fenômenos de bilheteria, após meses de polêmica.

"Num esforço para censurar nosso diretor, Bill Condon, e sua visão criadora, um grupo de organizações pediu a realização de um protesto contra 'Kinsey' no dia de sua estréia. Não apoiamos isso e não permitiremos que aconteça", informou em comunicado a Fox Searchlight, produtora do filme.

"Em 1948, quando foi publicado o primeiro trabalho de Kinsey, várias forças tentaram censurar o diálogo sexual nos Estados Unidos através de uma campanha de desinformação. Hoje, num esforço para voltar ao passado, a missão de reprimir a cultura e o sexo continua", acrescentou.

Swindell sabe bem que a decisão de provocar tanto "alvoroço" antes da estréia do filme pode ser contraproducente. Mas desta vez, fez uma exceção.

"Geralmente não costumo protestar para não fazer campanha gratuita para um filme. Mas neste caso, me vi forçada, porque estamos falando de pedofilia. Estamos falando de centenas de crianças que sofreram abusos sob a égide de Kinsey", disse.

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