GABORONE, 28 out (AFP) - Botsuana, o "aluno modelo" da África no plano econômico e político, prepara-se para as eleições gerais deste sábado que parecem prometer uma nova vitória do Partido Democrático de Botsuana (BDP), que governa o país desde a independência, há 38 anos.
O presidente Festus Mogae, de 65 anos, deverá ser reeleito para um mandato de cinco anos à frente deste país semidesértico da África Austral, com imensos recursos minerais, notadamente diamantes, mas golpeado com extrema violência pela Aids.
Mogae, ex-governador do Banco Central e ex-ministro de Finanças, é o terceiro presidente de Botsuana depois de Sereste Jama e Ketumile Masire.
Uma participação escassa nestas nonas eleições gerais na história do país poderia ensombrecer esta vitória anunciada.
Encravado entre África do Sul, Namíbia e Zimbábue, Botsuana possui 1,7 milhão de habitantes.
Desde a independência, em 1966, este antigo protetorado britânico é um dos países mais pobres do planeta. Vários anos de seca acentuaram as dificuldades, ao dizimar o gado, até então a principal riqueza para os moradores do país.
A descoberta de diamantes nos primeiros anos depois da independência mudou rapidamente o panorama. Uma gestão prudente dos fundos públicos, saudada pelos organismos internacionais e consagrada pelas agências financeiras de classificação, permitiu o arranque, no final dos 70, com um desenvolvimento econômico sem equivalentes no continente.
Primeiro produtor mundial de diamantes brutos, Botsuana deve hoje em dia a maior parte de suas riquezas à exploração mineira. Em 2003, o PIB por habitante era de 3.800 dólares (2.400 euros).
Mas esta prosperidade, que dissimula importantes disparidades, maiores nas zonas rurais, está ameaçada hoje pela Aids: com um índice de 37,3%, Botsuana é o segundo mais afetado do mundo, depois de Suazilândia.
O país vive uma ampla campanha de distribuição gratuita de medicamentos anti-retrovirais (ARV) impulsionada por Mogae, que fez da luta contra esta pandemia uma prioridade.
Este plano se articula sobretudo em torno do programa ACHAP (African Comprehensive HIV/Aids Partnerships), uma associação entre instituições públicas e privadas sem comparação no continente, que reúne o governo botswano, a fundação Bill e Melinda Gates e o grupo farmacêutico americano Merck.
A Aids e a luta contra a pobreza foram os temas fundamentais de uma campanha eleitoral acompanhada com pouco entusiasmo por 550.000 botsuaneses convocados às urnas para eleger 57 deputados que designarão, por sua vez, o presidente.
Sete partidos apresentam candidatos e, além de Mogae, três homens aspiram à presidência.
Trata-se do advogado Otsweletse Mupo, que lidera uma coalizão entre a Frente Nacional de Botsuana, o Movimento Aliança de Botsuana e o Partido do Povo de Botsuana; o advogado Dick Bayford, da Nova Frente Democrática, e o empresário Otladisa Koosaletse, do Partido do Congresso de Botsuana.
A Comissão Eleitoral Independente anunciará os resultados domingo, 31 de outubro.
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