LONDRES, 17 set (AFP) - O príncipe Harry, que fará 20 anos esta semana, anunciou que pretende continuar a obra humanitária da sua mãe, a princesa Diana, que morreu tragicamente num acidente de carro em 1997, em Paris, revelou um documentário filmado em Lesoto (sul da África), que teve alguns trechos divulgados na quinta-feira.
"O reino esquecido: o príncipe Harry em Lesoto" é um documentário sobre os estragos da Aids neste pequeno país montanhoso da África, onde o filho caçula do príncipe Charles e da princesa Diana passou oito semanas meses atrás, durante seu ano de descanso após a conclusão do nível médio.
Durante sua estadia em Lesoto, o príncipe Harry registrou algumas imagens com sua própria câmera e concedeu sua primeira entrevista filmada, na qual anuncia a decisão de continuar o trabalho da mãe, morta num acidente de trânsito um ano depois de se divorciar de Charles, herdeiro da coroa britânica.
"Acho que tenho muito da minha mãe, sobretudo, e penso que ela gostaria que fizéssemos isto, meu irmão e eu", disse Harry, falando do príncipe William e evocando sua visita aos órfãos da Aids em Lesoto.
Harry, que espera ingressar no colégio militar de elite de Sandhurst, passou oito semanas neste país do sul da África, distanciando-se da imagem de jovem membro do "jet set".
No documentário, ele aparece brincando com órfãos da Aids e fazendo amizade com um menino de quatro anos no orfanato de Mants'ase, em Mohale's Hoek.
"Era um menino verdadeiramente incomum. Sem pai, nem mãe, (mas) verdadeiramente gentil, às vezes uma pestinha, mas realmente divertido". disse Harry.
Apesar de não ter sido submetido a exames médicos, é provável que o menino, chamado Mutsu Potsan, esteja infectado com o vírus da Aids ou até já tenha a doença declarada. Sem dúvida, ele não viverá depois dos 10 anos e tanto seu pai quanto sua mãe já morreram vítimas da Aids.
Harry também foi filmado ninando uma menina de 10 meses chamada Liketso, uma cena que lembra uma missão humanitária de Diana em outro país africano, Angola, pouco antes de sua morte.
A bebê foi violentada pelo companheiro de sua mãe e Harry parecia visivelmente comovido ao ser informado do fato, durante visita ao centro de crianças traumatizadas, situado perto da capital de Lesoto, Maseru.
"Sempre quis ir a um país afetado pela Aids para continuar, dentro das minhas possibilidades, a obra da minha mãe", disse Harry.
"Não quero substituí-la porque nunca poderia fazer isso. Acho que ninguém pode fazê-lo, mas quero tentar continuar seu trabalho para que fique orgulhosa de mim", acrescentou.
Harry disse ainda que gostou do relativo anonimato de que desfrutou quando esteve em Lesoto, onde pôde fugir da pressão de pertencer a uma ilustre família real da Europa.
Ele é o terceiro na linha sucessória da coroa britânica, depois de seu pai, Charles, e do seu irmão, William, que estuda na Universidade Saint Andrews, na Escócia.
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