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A aids é uma ameaça à segurança mundial, dizem especialistas

Agence France-Presse - Setembro 9, 2004
Richard Ingham

LONDRES, 9 Set (AFP) - A aids é uma ameaça à segurança mundial por ter potencial para provocar desordens e guerras em países devastados pela doença, além de criar potenciais refúgios para terroristas, de acordo com as conclusões de especialistas numa conferência sobre o assunto que está sendo realizada em Londres.

Estes especialistas afirmaram temer pelo futuro de vários países no sul da África, onde milhões de adultos estão infectados pelo HIV (vírus da doença), e não têm acesso a um tratamento adequado.

A morte prematura destes adultos, além de ser nociva à economia nacional, pode afetar a sociedade e propiciar revoltas dentro dos países e conflitos entre eles.

"A aids em si não causa guerras e insurgências, mas é desestabilizadora de várias maneiras", disse Joep Lange, um professor da Universidade de Amsterdã.

Segundo ele, 12.3 milhões de crianças africanas órfãs são uma fonte a longo prazo de turbulência, crime e prostituição.

"África do Sul, Botsuana e Suazilândia são locais em potencial para o surgimento de conflitos. No caso de Botsuana, se nada for feito, o país não vai mais existir", acrescentou Lange.

Países que tiverem a economia e a coesão social atingidas pela aids podem "ser uma ameaça à segurança do sistema internacional, pelo fato de estarem propícios a guerras civis, conflitos regionais, além de servirem como refúgio para terroristas", afirmou o professor.

Já o professor de economia da Universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul, Alan Whiteside citou a Somália como exemplo de país que só existe no nome. Segundo ele, "é inteiramente possível a aparição de uma situação similar em outros Estados".

Whiteside deu ainda o exemplo de Zimbabue como um país em que proliferação da Aids estimulou a existência de um governo autocrático e arruinou a economia. Malauí, Suazilândia e Botsuana estariam no mesmo caminho.

Os militares representam outro risco de turbulência, segundo Lange, caso os índices de contaminação sejam muito altos.

"Uma força militar doente não será eficiente (...) e pode se tornar uma fonte de instabilidade dentro um Estado", afirmou ele.

Em contrapartida, Whiteside disse que a luta contra a Aids pode unificar países, desde de que bem liderados, e citou o caso de Uganda, onde a taxa de adultos contaminados caiu de dois dígitos para 5% em 15 anos.

A conferência em Londres sobre a crise da Aids está sendo realizada pela Royal Society of Medicine e pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês).

A taxa de adultos infectados em Suazilândia é de 38.8%, a mais alta do mundo. Botsuana registra 37.3%, segundo estatísticas da Unaids.

Em sete países subsaarianos -- Zâmbia, Zimbábue, Suazilândia, República Centro-Africana, Lesoto, Moçambique e Malauí -- a expectativa de vida é de 40 anos, estima o Programa de Desenvolvimento da ONU.

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