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Campanhas por uso da camisinha atingem a indústria pornô no Brasil

Agence France-Presse - Setembro 5, 2004
Yana Marull

SÃO PAULO, 5 set (AFP) - Apesar de o cinema pornô resistir no mundo inteiro ao uso da camisinha, no Brasil a campanha contra a Aids chegou também à indústria do sexo.

Os filmes pornôs brasileiros já incluem cenas com camisinha. O Brasil, inclusive, esteve relacionado há poucos meses com um dos maiores escândalos da indústria pornográfica americana.

Depois de tomar conhecimento de que estava com Aids, o conhecido ator americano Darren James afirmou que, provavelmente, teria contraído o vírus durante uma filmagem no Brasil no início do ano.

A produtora de James decidiu gravar cenas no Brasil atraída pelos baixos custos, pelos belos cenários naturais e também pelas atrizes exóticas. Darren James, no entanto, não usou camisinha nas filmagens.

"Já se usa preservativo na maioria dos filmes eróticos brasileiros há três ou quatro anos. Lá fora é diferente. Nos Estados Unidos, dizem que os filmes perdem a graça e as vendas pioram com o uso de camisinhas. No Brasil, o público se acostumou e acabou aceitando, certamente porque não tem alternativa", explicou Alexandre Duarte, editor da revista DVD Erótico.

As campanhas do governo, as quais têm como lema "Use Camisinha", surtiram efeito. Elas atingiram um dos setores mais difíceis: a indústria do cinema pornô. Atualmente, a Aids afeta menos de 1% da população brasileira.

Apenas em 2003, foram utilizados no país 700 milhões de preservativos, sendo que 260 milhões foram distribuídos pelo governo, que já estuda a possibilidade de instalar sua própria fábrica a fim de diminuir os custos.

"Se amanhã eu decidir me casar, meu marido usará preservativo. Eu não teria segurança. Assim que dobrar a esquina, ele já estaria com outra. Por isso, minhas condições para atuar em filmes pornôs eram de que se usasse preservativo em todas as cenas de sexo e que os atores fizessem exames de sangue", afirmou Rita Cadillac, que aos 50 anos acaba de protagonizar o mais recente sucesso do cinema pornô brasileiro.

A tendência, entretanto, pode mudar em breve. Uma das maiores produtoras de filmes pornô do Brasil, a Brasileirinhas, está se rebelando contra o uso de preservativos.

"Com camisinha ou sem camisinha, o exame de Aids é imprescindível. Quando chegamos a essa conclusão, resolvemos abandonar o uso da camisinha", explicou o produtor Luiz Alvarenga. Ele argumenta que "as camisinhas também se rompem" e são um verdadeiro freio à exportação dos filmes.

A polêmica chegou a Alexandre Frota, ator de telenovelas que acaba de se lançar na indústria pornô. Ele se vangloriou de não usar preservativos por não gostar de chupar bala com papel.

"Frota disse isso porque quer causar polêmica e porque não conhece o meio. Mas de qualquer forma, essas declarações não são nada boas", respondeu a atriz Juliana, de 21 anos, que já participou de 15 filmes pornô e garante que não participa de cenas de sexo sem camisinha.

A produtora Buttman, outra gigante do cinema pornô brasileiro, assegurou que continua usando preservativos e pedindo exames de sangue a seus atores. Ainda assim, o produtor Stanley Miranda reconheceu:

"Encontramos muita dificuldade para exportar filmes. Mas o que aconteceu nos Estados Unidos pode fazer com que haja mais aceitação dos filmes com camisinha".

O problema seria que os exames no Brasil são caros (mais de 100 dólares os mais confiáveis) e há produtoras que não querem arcar com esses custos.

Além disso, a legislação impede que qualquer trabalhador seja obrigado a se submeter a exame de Aids.

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