PHNOM PENH E JOHANNESBURGO, 12 ago (AFP) - Profissionais do sexo no Camboja parabenizaram o primeiro-ministro Hun Sen pela decisão de suspender um programa patrocinado por Bill Gates para a realização de testes da vacina anti-HIV Tenofovir em humanos.
O governo cambojano justificou sua decisão alegando questões de direitos humanos e os prováveis efeitos colaterais graves da droga. A substância já é usada para tratar pacientes aidéticos, mas os pesquisadores tentam descobrir se também podem reduzir o risco da infecção do HIV entre adultos saudáveis e ativos sexualmente.
"Ele está preocupado que os testes com a droga afetem a saúde do povo cambojano e os direitos humanos", afirmou o ministro da Saúde, Nuth Sokhom.
Hun Sen afirmou que os testes devem ser realizados em animais. No início do mês, havia convocado os cambojanos a ficarem de fora do programa, pois a nação não é um laboratório para testar tecnologias defasadas.
Cerca de 900 prostitutas estavam cadastradas para fazer parte do programa, patrocinado em parte pela Fundação Bill e Melinda Gates, mas boicotaram a iniciativa dizendo que queriam seguro médico para possíveis efeitos colaterais da pesquisa nos próximos 40 anos.
A Rede Cambojana de Mulheres pela União, um grupo que representa mais de cinco mil prostitutas, apoiou a decisão. "Nós estamos felizes com esta determinação e não queremos tomar parte neste programa de testes, pois não há nenhuma garantia para nós", afirmou a diretora Kao Tha.
"Somos tão pobres que não teríamos dinheiro para pagar pelo tratamento se ficássemos doentes depois do teste... Estamos muito felizes com o apoio do primeiro-ministro", acrescentou.
A taxa de presença do HIV caiu de 4% para 2,6% nos últimos dois anos no Camboja, mas continua a mais alta do continente. Os pesquisadores afirmaram que não podiam pagar o seguro e a disputa atrasou os testes por vários meses.
Outro grande foco da doença, a África do Sul, por sua vez, mostra-se menos preocupado com os efeitos colaterais e com intenções de testar uma vacina em adolescentes, o grupo de maior risco no país.
"No momento, acreditamos que nossa melhor aposta é a prevenção", afirmou a porta-voz da Iniciativa Sul-Africana pela Vacina da Aids (Saavi, da sigla em inglês), Michelle Galloway.
"Existe uma tendência internacional em focar a campanha nos adolescentes Os cientistas estão dizendo que em algum momento teremos que abordar os adolescentes porque eles são o maior grupo de risco", acrescentou.
A Saavi, criada pelo Ministério da Saúde para coordenar a pesquisa e teste de vacinas contra a Aids, realiza no momento testes com duas vacinas em candidatos sul-africanos. A estimativa para obter resultados é de 10 anos.
"Nós não queremos acabar obtendo uma vacina que não funcione nos adolescente porque seu alto nível de hormônios pode interferir no funcionamento da substância", disse Galloway.
Entretanto, a porta-voz ressaltou que todos os aspectos legais serão observados para fazer os testes com adolescentes, como a autorização dos pais. "Em muitos casos, as crianças não querem que os pais saibam que eles são sexualmente ativos, o que complica a questão", explicou.
O SAAVI anunciou nesta quinta-feira que vai trabalhar junto com a Fundação Nelson Mandela no projeto. "Ambas organizações tem a juventude como um dos seus pontos chaves", disse seu diretor, Tim Tucker, em um comunicado.
A África do Sul é um do país com o maior índice de contágio do HIV no mundo. A ONUAIDS calcula que 5,3 milhões de adultos estejam contaminados no país, um em cada nove.
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