PARIS, 9 jul (AFP) - Além de matar quase três milhões de pessoas e contaminar outros 38 milhões, a doença mais trágica desde a Idade Média, a Aids, também tem um efeito devastador sobre a economia dos países mais afetados pela epidemia, todos subdesenvolvidos.
Apesar da Aids ser uma tragédia em qualquer lugar que acontece, seus efeitos sobre a economia dos países ricos do Norte são bem diferentes do que acontece nas regiões em desenvolvimento.
Mais da terça parte das pessoas contaminadas pelo vírus no mundo - cerca de 14 milhões - vive em países que o Banco Mundial inclui entre os países extremamente endividados, afirma o informe publicado esta semana pela Onuaids.
Em 2002, os 42 países mais pobres e endividados - 34 deles na África subsaariana, o pior foco de infecção no mundo - deviam em conjunto cerca de 213 bilhões de dólares, afirma o estudo da ONUAids, que reúne cinco escritórios das Nações Unidos, o Banco Mundial e a Organização Mundial da Saúde.
Ainda que as informações sobre a epidemia não sejam completas - motivo pelo qual é impossível determinar com precisão qual é o impacto econômico da Aids -, na maior parte do mundo desenvolvido o contágio pelo HIV e conseqüentes mortes não geram problemas econômicos incontornáveis.
As piores conseqüências se dão nos países pobres, destaca o estudo. Além disso, o vírus continua se espalhando rapidamente nestas regiões.
Nos países ricos, tratamentos cada vez mais avançados reduziram o número de mortes causadas pelo vírus. Além disso, o custo dos remédios está caindo e há mais recursos para combater a doença. Em compensação, em outras partes do mundo, a epidemia se agrava.
Os países pobres e em desenvolvimento não podem absorver o custo econômico dos tratamentos, motivo pelo qual o impacto da doença se sente não apenas no número crescente de mortos, mas também no mercado de trabalho e na queda da renda familiar, que afeta o consumo.
A ONUAids ressalta que a população subsaariana, que é a região mais afetada pelo vírus, com 25% da população portadora do HIV em 2003, não recebe em sua maior parte medicamentos para tratar a doença, o que afeta gravemente a produção econômica e a contribuição à sociedade das pessoas afetadas pela epidemia.
Professores, médicos e enfermeiras morrem tão rápido que é difícil substituí-los.
A Fundação para Pesquisa da Aids americana afirmou em um relatório de 1999 que 80% das pessoas que morrem da doença são trabalhadores entre 20 e 50 anos, o que tem séria repercussão sobre a renda das famílias.
Os "adultos jovens estão morrendo e isto causa impacto no ritmo de crescimento" dos países, resumiu Karen Stanecki, chefe dos estudos de saúde do Departamento de Censos dos Estados Unidos.
As pessoas estão morrendo no momento em que estariam no ápice de sua produtividade, o que levou à paralisação de empresas e economias nos países mais atingidos pela epidemia. "E em um mercado globalizados, ao longo prazo todos sofrem", acrescentou.
O relatório da ONUAids destaca como a epidemia, que nos países pobres atinge principalmente o trabalho agrícola, intensificou o déficit alimentar crônico.
Em seis dos 10 países da África Austral mais afetados pela Aids, "mais de 15 milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar emergencial", relata o documento.
James Morris, diretor executivo do Programa Mundial de Alimentos.
"O que as famílias pobres afetadas pela Aids pedem não é dinheiro nem medicamentos: é comida".
Um estudo comparativo realizado pela Onuaids em Burundi, em Costa do Marfim e no Haiti, com centenas de lares afetados pela doença, comprovou uma baixa constante do número de pessoas economicamente ativas da casa, o que leva a uma queda da renda por habitante.
Uma pesquisa parecida na África do Sul mostrou que os tratamentos da doença vinculados ao vírus provocaram queda de 60% a 80% da renda mensal média. "Muitos acreditamos que a Aids era um problema da saúde. Erramos", resumiu James Wolfensohn, presidente do Banco Mundial (Bird), diante do Conselho de Segurança da ONU,
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