BANGCOC, 11 Jul (AFP) - A 15ª Conferência Internacional sobre a Aids começou neste domingo em Bangcoc em meio a advertências de que a escassez de dinheiro e a falta de liderança no combate à doença ameaçam o continente mais populoso do mundo, a Ásia, enquanto que as mulheres despontam como principais vítimas da Aids nos últimos anos.
Em seu discurso de abertura, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu que líderes mundiais se envolvam diretamente no combate da epidemia, por se tratar de um assunto de extrema importância. "A Aids é muito mais do que uma crise de saúde. Trata-se de uma crise de desenvolvimento", afirmou Kofi Annan.
A Aids já fez mais de 20 milhões de vítimas em 23 anos e ameaça outros 38 milhões que convivem atualmente com o vírus HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana). Aproximadamente cinco milhões de infecções ocorreram em 2003, a maior quantidade em apenas um ano.
Especialistas afirmaram que o continente asiático pode superar, em casos de Aids, a África subsaariana, onde países como Suazilândia e Botswana possuem cerca de 40% da população com o vírus.
Richard Feachem, diretor do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, disse que a tragédia será iminente caso grandes contribuintes, como os Estados Unidos e a Europa, não destinarem os cerca de 3,5 bilhões de dólares necessários para dar continuidade aos programas de combate à doença em 2005.
"Se o Fundo Global não continuar crescendo, o resultado será catastrófico. Nós não vamos vencer", disse Feachem à imprensa.
Cerca de 25% das 4,8 milhões de infecções registradas no ano passado aconteceram na Ásia, onde países de grande população, como a China, a Índia e a Indonésia correm perigo, segundo a ONU.
Nesses países, a epidemia está próxima de dar um grande salto: depois de aumentar aos poucos entre homossexuais, viciados em drogas injetáveis e prostitutas, a Aids começa a se espalhar pela população em geral.
O secretário-geral Kofi Annan exortou os países a facilitarem o acesso a remédios, a fim de ajudar as classes e grupos sociais mais vulneráveis.
"Nos últimos anos, temos percebido uma tendência aterrorizante: as mulheres são cada vez mais afetadas pela epidemia", advertiu Annan.
"As mulheres representam quase a metade do total de infecções entre os adultos. Na África subsaariana, a proporção chega a 58%. Entre a população com menos de 24 anos, pessoas do sexo feminino constituem quase dois terços dos que convivem com o vírus da Aids", disse Annan.
Antes da abertura da Conferência, cerca de 1.000 pessoas, a maioria delas portadora do HIV, organizaram um protesto nas imediações contra a falta de recursos para o combate à epidemia de Aids.
Contribuições para a luta contra a Aids aumentaram substancialmente nos últimos dois anos e devem chegar a mais de 5 bilhões de dólares em 2004. No entanto, as doações estão bem abaixo dos 20 bilhões anuais previstos a partir de 2007, informou a ONU.
Ativistas criticaram a administração do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em relação à política para a doença.
Mas os representantes americanos na conferência responderam às acusações que reprovam a Washington o fato de permanecer como espectador na luta contra a Aids, convidando outros países a melhorar as próprias contribuições.
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