BANGCOC, 12 jul (AFP) - É preciso duplicar os recursos disponíveis destinados à pesquisa sobre uma vacina contra o vírus HIV para pôr fim à doença, advertiu nesta segunda-feira o cientista Seth Berkley durante a Conferência Internacional sobre a Aids, qualificando esta ausência como uma "vergonha mundial".
Berkley é presidente da Iniciativa Mundial por uma Vacina contra a Aids (IAVI), organização que realiza pesquisas relacionadas à descoberta de uma substância que possa imunizar contra a doença.
"O mundo caminha lentamente em direção à descoberta de uma vacina, mas estes avanços deveriam ser muito mais rápidos", destacou, acrescentando que o maior obstáculo é que essa descoberta não é considerada prioridade científica, política e econômica".
Berkley lembrou que, durante os 23 anos de história da Aids, "nenhum imunizante foi inteiramente testado em humanos. É uma vergonha mundial".
Os recursos disponibilizados para o desenvolvimento da vacina são de cerca de 650 milhões de dólares por ano, o que representa "menos de 1% do total de fundos dispensados para o desenvolvimento de outros medicamentos", declarou Berkley.
Segundo o cientista, a contribuição precisaria duplicar, alcançando 1,2 bilhão de dólares por ano, para que fossem testadas outras substâncias para solucionar os difíceis problemas relacionados à resistência do vírus HIV.
Mais de 20 milhões de pessoas já morreram de Aids no mundo e outras 38 milhões são portadoras do vírus HIV. Destas, 4,8 milhões foram infectadas em 2003, o mais alto índice já registrado em um ano.
A pesquisa de vacinas sempre foi relegada a segundo plano, obtendo dotações financeiras inferiores em comparação com os tratamentos, que são muito mais vantajosos para os gigantes da indústria farmacêutica.
Em nível científico, ainda não se conhece o perfil genético dos anticorpos ou das células imunizantes que poderiam ser utilizadas na destruição do vírus. Nenhuma pessoa, entre uma população mundial de 6 bilhões de habitantes, conseguiu combater completamente a infecção causada pelo vírus devido unicamente ao seu sistema imunológico.
"Temos um cadeado, mas não temos a chave", exemplificou Wayne Koff, vice-presidente da IAVI.
A AIDSVAX, uma vacina baseada em anticorpos contidos na proteína GP 120, encontrada na superfície vírus, é a primeira que conseguiu passar com sucesso pelas três fases de testes em humanos.
Testada em voluntários nos Estados Unidos e na Tailândia, não apresentou nenhum risco. Sua eficácia, porém, não foi comprovada.
A IAVI, organização sem fins lucrativos situada em Nova Iorque, publicou um primeiro estudo em dois anos sobre a pesquisa da vacina contra o HIV, indicando que o número de protótipos de vacinas cresceu consideravelmente nos últimos anos. Mais de trinta candidatas a vacinas estão sendo testadas. Há dois anos havia apenas algumas.
A maior parte delas, no entanto, ainda está numa primeira fase de teste em pequenos grupos de voluntários, o que quer dizer que há ainda um longo processo - no mínimo até 2007 - antes de passarem por todos os testes necessários.
Atualmente, somente uma destas vacinas está na fase III de testes, a parte mais custosa. Trata-se da combinação entre a AIDSVAX e uma vacina baseada no vírus canarypox, desenvolvida pelo laboratório europeu Aventis.
Um avanço positivo, o IAVI indicou que os primeiros passos foram dados em direção a uma etapa crucial: isolar os anticorpos que podem neutralizar o HIV assim que ele entra no sangue.
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