PARIS, 6 jul (AFP) - A Aids continua se espalhando na América Latina e no Caribe: em 2003 a doença matou 120 mil pessoas e o vírus HIV contaminou outras 250 mil, elevando o número de infectados a dois milhões, informou o Programa sobre a Aids da Organização das Nações Unidas (ONUAIDS) nesta terça-feira, citando o consumo de drogas injetáveis e as relações homossexuais masculinas entre as principais causas de propagação.
O país mais atingido da região é o Haiti, com 5,6% contaminados, de acordo com o relatório da ONUAIDS, que também destaca que 24% dos homossexuais homens da Argentina têm o vírus HIV.
Os números do relatório são superiores aos do ano anterior: em 2002, 100 mil pessoas morreram e 210 mil foram contaminadas pelo vírus, com um total de 1,9 milhão de pessoas infectadas.
"Na maioria dos países da América do Sul, quase todos os casos estão relacionados a equipamentos contaminados como a injeção ou a relações sexuais entre homens", de acordo com o documento da ONU.
O relatório acrescenta que "a epidemia na América Latina, mais do que generalizada, tende a se concentrar preferencialmente em grupos de população com algum risco em particular".
Em razão disso, baixas percentagens nacionais podem ocultar epidemias "muito graves em setores específicos de alto risco: por exemplo, no Brasil, onde a incidência nacional de HIV positivos é "muito inferior a 1%", existem "níveis de infecção superiores a 60% entre consumidores de drogas intravenosas de algumas cidades", observa o documento da ONUAIDS.
No Brasil, o país com maior população da região, a proporção é de um em cada quatro pessoas infectadas com o vírus HIV, segundo o relatório.
A ONUAIDS reconhece que os programas brasileiros de prevenção iniciados nos anos 90 contribuíram para que a incidência da doença entre as mulheres grávidas que fazem pré-natal se mantivesse abaixo de 1%. No entanto, o documento não fornece números relativos à incidência do HIV entre grávidas que não freqüentam centros de saúde.
Na América Central e na América do Sul a incidência do HIV "entre homens que têm relações com homens é "uniformemente elevada: de 9% na Nicarágua a 24% na Argentina", acrescenta o relatório da ONUAIDS.
"Sendo assim, as condições parecem propícias à propagação mais generalizada do vírus, pois são muitos os homens que têm relações sexuais com homens que também tem com mulheres", adverte a Onuaids, citando ainda o Peru e a Colômbia neste caso.
O documento também cita a situação da América Central, onde o número de casos da doença entre prostitutas varia muito, atingindo o máximo em Honduras, com 10%.
No Caribe, a Aids está presente, sobretudo, entre heterossexuais e, em muitos lugares, há alta predominância entre as prostitutas.
A República Dominicana -que junto com o Haiti forma a Ilha de Hispaniola- também é muito afetada embora "esforços de prevenção eficazes tenham sido feitos para aumentar o uso de preservativos em relações sexuais.
Além disso, Bahamas e Trinidad e Tobago têm pelo menos 3% de sua população contaminada pelo vírus HIV, enquanto Barbados possui 1,5%. Já a incidência em Cuba é muito inferior a 1% da população.
A exclusão também influi significativamente nos dados numéricos do relatório: a proporção de infectados que recebe os medicamentos anti-HIV apropriados vai de 75% em alguns países a apenas 25% em outros.
"As epidemias não serão derrotadas até que os países aceitem as realidades do consumo de drogas intravenosas e das relações sexuais entre homens", ressalta a ONUAIDS.
"Estigmatizar e negar tais comportamentos só pode favorecer as epidemias silenciosas em curso", acrescenta.
040706
AF040750_PT
© Agence France-Presse 2004. Todos o direitos são de propriedade exclusiva da AFP. Os artigos e fotografias não podem ser publicados, transmitidos, reescritos para transmissão ou publicação, ou redistribuidos direta ou indiretamente por nenhum outro órgão de comunicação sem a autorização prévia por escrito da AFP. O material informativo da AFP não pode ser arquivado total ou parcialmente em um computador, salvo para uso pessoal (e não comercial). A AFP não será responsável por nenhum atraso, imprecisão, erros ou omissões em nenhum de seus materiais informativos ou na transmissão ou entrega em sua totalidade ou em parte, ou por qualquer dano em geral. Como se trata de um serviço de notícias, a AFP não tem autorizações particulares das pessoas, grupos ou entidades tratados em suas fotografias ou gráficos citados em seus textos. Tampouco tem autorização dos proprietários de qualquer marca registrada ou matérias com direito de autor incluídos nas fotografias ou materiais de AFP. Em consequência, o usuário será o único responsável pela obtenção de qualquer autorização por parte de qualquer indivíduo ou entidade para uso dos artigos, fotos ou gráficos da AFP. http://www.afp.com/
AEGiS is a 501(c)3, not-for-profit, tax-exempt, educational corporation. AEGiS is made possible through unrestricted grants from Boehringer Ingelheim, Elton John AIDS Foundation, the National Library of Medicine, Bridgestone Firestone Trust Fund and donations from users like you. Always watch for outdated information. This article first appeared in 2004. This material is designed to support, not replace, the relationship that exists between you and your doctor.
©1990, 2004 - AEGiS. AEGiS presents published material, reprinted with permission and neither endorses nor opposes any material. All materials appearing on AEGiS are protected by copyright as a collective work or compilation under U.S. copyright and other laws and are the property of AEGiS, or the party credited as the provider of the content.