WASHINGTON, 1 jul (AFP) - Um funcionário do Banco Mundial (BM) acusou a Índia e outros países do sul da Ásia de não se ocupar da Aids, arriscando-se a cair numa grave crise humanitária.
A instituição financeira, que já lançou na região vários programas de luta contra a Aids no valor de 380 milhões de dólares, queixou-se da falta de vontade política para lutar contra este mal.
"Os responsáveis negam (a gravidade da situação) e há um grande mal a tratar", disse Praful Patel, vice-presidente do BM para o sul da Ásia. Segundo ele, os dirigentes destes países acreditam que "a Aids é um problema africano".
Patel, que apelou da mudança de mentalidade entre os dirigentes asiáticos, disse ter encontrado os mesmos problemas com os dirigentes africanos sete anos atrás, quando a doença se espalhava nesta parte do mundo.
O alto funcionário destacou que numa recente viagem à Índia, os dirigentes com os quais se reuniu preferiram falar sobre o número de pessoas infectadas pelo vírus HIV em seu país, ao invés de manifestar o desejo de elaborar uma estratégia para combater a doença.
Cerca de oito milhões de pessoas são afetadas pelo vírus da Aids no sul da Ásia, dois terços dois quais - 4,6 milhões de pessoas - são indianas. A epidemia se tornou endêmica em seis de 28 estados do país.
"A semana passada fui a três estados (indianos severamente afetados pela doença). Me reuni com os chefes dos governos, mas não se interessaram quando tentei convencê-los a por o tema da Aids na ordem do dia", disse Patel.
A Aids afeta de forma equilibrada em Bangladesh, Paquistão e Nepal a população relacionada com a indústria do sexo e os viciados em drogas.
O problema da Aids no sul da Ásia será apresentado durante a 15ª Conferência Internacional sobre a Aids, que se realizará em Bangcoc entre 11 e 16 de julho. O tema do encontro será o acesso aos medicamentos.
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