TRÍPOLI, 6 mai (AFP) - Um tribunal líbio condenou à morte cinco búlgaros e um palestino, considerados culpados pelo contágio de Aids de mais de 400 crianças de um hospital pediátrico, das quais 46 faleceram, e absolveu um sexto búlgaro e nove líbios acusados no mesmo caso.
Os acusados foram condenados por um tribunal de Benghazi (norte) "em virtude da lei 305, que estabelece que a pena capital pode ser aplicada a qualquer um que cause a morte de mais de uma pessoa", segundo uma fonte judicial.
O tribunal de Benghazi condenou um médico palestino e as cinco enfermeiras búlgaras à morte.
"Os condenados causaram a morte de 46 crianças e infectaram outras 380", de acordo com o veredicto. Os acusados foram considerados culpados pela infecção das crianças com o vírus HIV.
Os réus, que não reagiram durante o anúncio da sentença, serão fuzilados.
Outro búlgaro e nove líbios foram absolvidos.
Em Sófia, o Governo búlgaro considerou o veredicto "inaceitável". O presidente do Parlamento, Ognian Guerdjikov, declarou estar convencido de que os condenados não serão executados, já que a Líbia não aplica a pena de morte há nove anos.
O ministro líbio da Justiça, Ali Al Hasnaui, disse à AFP que confia na justiça de seu país, lembrando que os condenados podem apelar da sentença ante a Suprema Corte.
Após a leitura do veredicto, as famílias das crianças infectadas com o HIV, que acompanharam o julgamento, manifestaram sua alegria nas ruas de Benghazi.
Os seis condenados foram acusados de ter injetado sangue contaminado nas crianças internadas no hospital pediátrico de Benghazi entre 1997 e 1998, provocando assim a contaminação de mais de 400 crianças. De acordo com uma rádio búlgara, os sete pretendem apelar da decisão.
Duas enfermeiras e o médico palestino, que admitiram os atos durante os interrogatórios, declararam diante do júri que suas confissões foram obtidas com o uso de tortura. As duas búlgaras afirmaram que foram obrigadas a assinar declarações em árabe, idioma que não dominam.
A Comissão Européia se disse "extremamente preocupada" com a condenação. O executivo europeu também manifestou sua "solidariedade" com as famílias das vítimas líbias e confirmou que "se opõe totalmente à pena de morte".
A defesa alegou que os acusados estrangeiros estão sendo usados como bodes expiatórios pelas falhas na esterilização do material do hospital pediátrico.
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