MOSCOU, 17 fev (AFP) - A epidemia de Aids pode ter graves consequências para a segurança nacional da Rússia, segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) que frisa a contribuição da doença à redução populacional do país e a ameaça, tanto ao seu crescimento quanto à sua defesa.
Apoiando-se em números do Banco Mundial, o Pnud destaca que as diversas projeções sobre as consequências da epidemia de HIV-Aids, que oficialmente atingia 250.000 russos em 2003, prevêem para 2020 cerca de 5,4 milhões num cenário otimista e 14,5 milhões, num pessimista.
A doença, que é sempre mortal, viria então se somar às consequências de um crescimento demográfico negativo, para fazer reduzir a população russa, atualmente de 145,2 milhões de pessoas, para 120 milhões em 2020, segundo um estudo do American Enterprise Institute (AEI) citado no relatório.
A doença, que afeta atualmente quase 1% da população adulta na Rússia, segundo o relatório divulgado nesta terça-feira, abrange sobretudo os jovens.
"O impacto destas tendências alarmantes sobre a segurança nacional russa se manifestará ao mesmo tempo numa redução crescente e em aceleração da população masculina em idade de servir no exército e no despovoamento rápido das regiões mais afetadas, muitas das quais fazem fronteira com outros países", frisa o relatório.
Em 2002, as Forças Armadas russas rejeitaram cinco mil recrutas por estar com o HIV e devolveram à vida civil 500 militares infectados com a doença.
Além disso, o fenômeno "afetará negativamente a taxa de crescimento econômico e a produtividade do trabalho, devido às conseqüências sociais e orçamentárias de uma epidemia generalizada". A taxa de crescimento anual da Rússia será reduzido em 0,5% até 2010 e em 1% até 2020, segundo o AEI.
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