MOSCOU, 17 fev (AFP) - Rússia, Ucrânia e Estônia, onde a progressão das taxas de infecção do vírus HIV está entre as mais rápidas do mundo, correm o risco de uma "epidemia generalizada" de Aids, revelou nesta terça-feira um estudo do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud).
Segundo o Pnud, as autoridades russas "deveriam levar esta ameaça muito a sério".
"O aumento do número de pessoas infectadas nestes últimos anos na Estônia, Rússia e Ucrânia é um dos mais altos do mundo", declarou o diretor do Pnud, Mark Malloch Brown, ao apresentar o estudo à imprensa moscovita.
Para os 28 países do leste europeu e da Comunidade de Estados Independentes (antiga União Soviética, menos os países bálticos) incluídos no informe, as mais recentes estimativas dão conta de 1,2 a 1,8 milhão de pessoas infectadas no final de 2003, contra um milhão no final de 2001.
No final de 2001, a taxa de infecção entre a população adulta chegou a 1% na Ucrânia, 0,9% na Rússia e 1% na Estônia, enquanto "a maioria dos países do centro e do sudeste da Europa têm um nível baixo da epidemia".
O que inquieta a maioria dos especialistas do Pnud é que "a epidemia cresce rapidamente na Rússia, Ucrânia e Estônia".
Este 1% alcançado ou superado leva a pensar que "é muito tarde para se falar de evitar uma crise no leste europeu e na CEI", destacou um responsável do programa, Kalman Mizsei.
"O HIV-Aids não devastará necessariamente a região inteira, mas a epidemia em muitos países, particularmente na Rússia, na Ucrânia e na Estônia, progrediu demais para poder ser vencida de forma decisiva a curto ou médio prazos", destacou o estudo.
Segundo o Pnud, a epidemia é "predominante entre os homens, urbanos, jovens, que injetam drogas e entre seus parceiros sexuais", enquanto no resto do mundo afeta tanto homens quanto mulheres e se espalha tanto por via sexual quanto pelo uso de agulhas contaminadas.
A direção russa "tomou consciência de que tem um problema real, mas ainda não decidiu enfrentá-lo com todos os meios disponíveis", continuou.
Além do drama humano, a doença representa um obstáculo para o desenvolvimento por sobrecarregar um sistema de saúde. Além disso, destrói as forças vivas nos países afetados.
Segundo as Nações Unidas, este fenômeno poderia reduzir a taxa de crescimento anual de cada país em 1% do PIB (Produto Interno Bruto), o que seria "um impacto terrível para qualquer país".
O Pnud destacou que os que formam esses grupos de risco "estão freqüentemente sujeitos à exclusão social, à pobreza, à zombaria ou à prisão". Integram estes grupos essencialmente os usuários de drogas injetáveis, os homossexuais, as prostitutas e os presos.
Segundo o estudo, as prisões funcionam como "incubadoras do HIV" pelo alto número de presos que injetam drogas e que têm relações com prostitutas.
Na Ucrânia, 7% dos presos estavam infectados pelo HIV em 1999, "um número que certamente aumentou desde então", disse o Pnud.
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